Pages

sábado, 15 de janeiro de 2022

“A PAZ DO SENHOR, AMÉM?”

Quantas vezes estamos com aquela vontade de responder um “amém” caloroso para o orador, ou cantor, porém, somos interceptados por ele mesmo. Ao se posicionar no púlpito, ele ou ela, toma o microfone e vai logo dizendo: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor, amém?!”. Tolhendo-nos o direito de dar-lhe uma resposta afirmativa para sua saudação.

“Amém” é uma palavra de origem hebraica e significa especificamente “firme”. No sentido figurado significa “confiável”, porém, é muito mais usado com o significado de “assim seja”. Veja a resposta que Benaia deu ao rei Davi, quando este relatou que Salomão seria seu sucessor: “Então, Benaia, filho de Joiada, respondeu ao rei e disse: Amém! Assim o diga o Senhor, Deus do rei, meu senhor” (1Rs 1.36). Quando Davi louvava ao Senhor diante da congregação o povo respondia com um sonoro Amém: “Louvado seja o Senhor, Deus de Israel, de século em século. E todo povo disse: Amém! E louvou ao Senhor.” (1Cr 16.36). Então, quando a pessoa responde o “amém”, ela está dizendo assim: “Eu concordo que assim seja feito, ou com o que foi feito (ou dito)”.

No contexto de hoje, nos cultos, quando o público é cumprimentado e responde “amém”, está afirmando que está de acordo com aquela saudação, e também de acordo que o orador continue falando.

Quando a pessoa que saúda ao mesmo tempo diz “amém”, ela está dizendo assim: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor, assim seja, e eu concordo que eu continue falando, e/ou cante o hino”. Tem algum sentido nisso? Logicamente que não. Por que, então, um grande número de pessoas que fazem uso da palavra, nos púlpitos de nossas igrejas, reiteradamente comete tal equívoco, quanto à saudação aos irmãos e amigos que ali se encontram?

Bom, deve ser porque aprenderam errado o modo de saudar a igreja quando recebem oportunidade, pois, infelizmente, o novo crente tem maus exemplos todos os dias em nossas reuniões, e assim ele aprende errado.

Pode ser também que seu referencial (a pessoa que lhe ensinou) no início de sua fé ou quando começou a receber oportunidades fazia assim, por isso aprendeu errado e continua reproduzindo o erro para os demais que o ouvem. Assim vamos criando uma geração de pessoas que usam mal as palavras nos púlpitos de nossas igrejas.

A expressão “Amém” também pode ser usada quando terminamos o serviço espiritual que estávamos realizando, significando que chegou ao fim da pregação, do louvor, da oração ou do culto. Temos como exemplo o duplo amém de Davi: “Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, que só Ele faz maravilhas. E bendito seja para sempre o seu nome glorioso: e encha-se toda a terra da sua glória. Amém e Amém” (Sl 72.18,19). Outros textos nos mostram também o amém no final do serviço prestado ao Senhor (Mt 6.13; 2Co 13.13).

·                “Saldo os irmãos” ou “Saúdo os irmãos”?

Há ainda, os que ao invés de dizerem saúdo os irmãos com a paz do Senhor”, dizem saldo os irmãos...”. Mesmo sabendo que esse é um erro de pronuncia em nossa língua portuguesa, e não é nossa intenção corrigir os equívocos da língua, mas os modismos ou jargões falados em nossas reuniões de culto, entendo ser importante esclarecermos também a diferença entre o verbo “saudar”, conjugado na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo - “saúdo” -, que se refere ao ato de cumprimentar, felicitar alguém, dar boas-vindas, e  o verbo “saldar” (do substantivo “saldo”), que é sinônimo de “pagar” ou “quitar”, quando, por exemplo, dizemos que vamos “saldar a dívida” – não queremos dizer que vamos cumprimenta-la, mas que vamos pagá-la! Portanto, a palavra saúdo é a palavra correta para cumprimentar a igreja, e deve ser pronunciada, colocando força na pronuncia do “ú”, em que está com o acento agudo, para que a palavra seja de fato pronunciada corretamente.

Há várias maneiras corretas, para nossas saudações iniciais, vejamos algumas: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor”; “Saúdo a todos os irmãos com a paz do Senhor”; “A paz do Senhor para todos meus amados irmãos”; “A graça e a paz do Senhor para todos”; “Graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo para todos irmãos”; “A paz do Senhor para todos”, etc. (Vale salientar que a forma de saudar o público difere entre as denominações evangélicas, e até mesmo nas regiões de nosso Brasil).

Você notou que em nenhuma delas há a expressão “amém”? Pois bem, o “amém”, quem deve responder é o público a quem você se dirige e nunca você que está saudando. Portanto, vamos aprender a usar bem o tempo tão precioso que temos no púlpito, com palavras sábias, pois o púlpito é um lugar especial na casa de Deus, não com conotação espiritual, mas social. Enquanto você está ocupando esse lugar de destaque, existem muitos que estão desejosos por estar em seu lugar. Uma boa dose de coerência não faz mal a ninguém!

domingo, 2 de janeiro de 2022

A BOA, AGRADÁVEL E PERFEITA VONTADE DE DEUS

 


E não vos conformeis com este mundo, as transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis  qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

 

Como seres pensantes, racionais que somos, temos nossas próprias vontades. Usando nossos cinco sentidos da vida, produzimos nossas vontades (Vontade de comer uma fruta, por exemplo). E, por mais que saibamos que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita, insistimos em fazer a nossa própria vontade. Talvez, seja por parecer, que nossas vontades são mais confiáveis, tangíveis, palpáveis.

O exemplo da fruta, não foi por acaso. Lembremos que a primeira vontade contrária a vontade de Deus, do casal edênico, foi exatamente em comer uma fruta. Nesse caso, não era da vontade de Deus que eles comessem aquele fruta. E assim que comeram, morreram.

Há vontades que temos, que são boas e agradáveis também. Há àquelas, que mesmo sendo boas e agradáveis aos nossos olhos, e aos demais sentidos da vida, não são da vontade de Deus, e, não sendo da vontade de nosso Pai celestial, certamente também, não será boa para nós. Vejamos este texto bíblico: “E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também ao seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3. 6). Parecia que tudo daria certo, pois, na concepção de Eva, após a apologia feita pela serpente, que, se Deus não queria que eles comessem, era simplesmente “porque Deus sabe que, no dia em que comerem, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3. 5). Porém, não deu certo não. As consequências não tardaram a chegar. O casal passou a experimentar a morte espiritual e a falta de comunhão com o Criador. Foram expulsos do jardim e uma vida dura, de suor e lágrimas começou. Como se isso não bastasse, as consequências, compulsoriamente passou a todos da raça humana. Tudo porque, fizeram a sua vontade e não a do Senhor Deus.

Jesus, o último Adão, cedeu a sua vontade, para dar lugar à vontade do Pai. Lá no Getsêmani, apartando dos seus discípulos, disse em oração ao Pai: “...Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22. 42). O Filho de Deus, o Verbo encarnado, já havia dito: “... A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4. 34). Disse ainda: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou” (Jo 5.30). Quando anunciaram que sua mãe e seus irmãos, estavam fora e queriam vê-lo, disse: “Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, este é meu irmãos, e irmã, e mãe” (Mt 12.50).

Quando chegou o momento da cruz, não propriamente a cruz de madeira, mas, a cruz dos pecados, da maldição, do juízo do Pai sobre toda a humanidade, e o Filho vendo que tudo aquilo recairia sobre Ele, disse: “A minha alma está profundamente triste até a morte;...” (Mc 14. 34). Então, Jesus teve uma vontade própria sua. Quem sabe, provindo daquela tristeza profunda, disse: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice;...” (Mc 14. 36). A vontade do Filho era que aquele sofrimento se afastasse, sem que fosse preciso passar, mas, naquele momento, mais uma vez, nosso Salvador, demostrou, que queria fazer a vontade do Pai, não apenas nos bons momentos, mas, muito mais agora, em momentos de grande aflição, tristeza e dor, e diz: “...não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres”. Passando pelo caminho da dor, do sofrimento e da maldição por nossos pecados, Jesus foi ao patíbulo da cruz e morreu como pagamento do juízo de Deus, que recairia sobre toda a humanidade. Na hora que ele brada “Está consumado”,  estava dizendo, que aquela dívida, que a humanidade devia, a partir do momento que Adão fez a sua vontade, comendo do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, agora estava cancelada, porque Ele, Jesus, o Messias, o último Adão, não fez a sua vontade, mas a vontade do Pai.

Muitas vezes, para fazermos a vontade de Deus, passamos por caminhos dolorosos. Nossas vontades precisarão ser suprimidas. Quem sabe, falaremos: Mas Senhor, queria tanto, gosto tanto, amo tanto, desejo tanto isso ou aquilo. E o Senhor vai nos dizer: Mas eu não gosto, eu não amo, eu não desejo isto para você. Isso não te fara bem. Isso te levará a ruina. Outra vezes vamos dizer: Senhor, será mesmo que preciso passar por esse caminho tão estreito? Por essa prova tão grande? Por este vale tão doloroso? Então o Senhor vai nos dizer: Sim, é preciso. Além desse vale doloroso está a tua coroa. Mais adiante, você vai me agradecer por ter passado por esse lugar. Foi exatamente nesse vale que você aprendeu a confiar mais em mim. Foi exatamente nesse caminho espinhoso que você contemplou a minha gloria.

Concluo, dizendo, que, por mais que, fazer a vontade de Deus pareça ser difícil, até impossível, ela não deixará de ser a boa, agradável e perfeita vontade. Ela é ascendente: Boa, agradável e perfeita. A vontade de Deus é como a luz da aurora, pois vai cada dia mais clareando, brilhando, até dar seu brilho com toda intensidade. Ao passo que nossa vontade, começa, aparentemente boa, porém, seu final poderá ser desespero, tristeza, amargura e morte.

Vamos nos esforçar, e pedir ao Santo Espírito, que nos ajude à fazermos sempre a vontade de nosso Pai que está nos céus.

Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt 6. 10).

Vosso em Cristo

Pr Daniel Nunes