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sábado, 15 de janeiro de 2022

“A PAZ DO SENHOR, AMÉM?”

Quantas vezes estamos com aquela vontade de responder um “amém” caloroso para o orador, ou cantor, porém, somos interceptados por ele mesmo. Ao se posicionar no púlpito, ele ou ela, toma o microfone e vai logo dizendo: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor, amém?!”. Tolhendo-nos o direito de dar-lhe uma resposta afirmativa para sua saudação.

“Amém” é uma palavra de origem hebraica e significa especificamente “firme”. No sentido figurado significa “confiável”, porém, é muito mais usado com o significado de “assim seja”. Veja a resposta que Benaia deu ao rei Davi, quando este relatou que Salomão seria seu sucessor: “Então, Benaia, filho de Joiada, respondeu ao rei e disse: Amém! Assim o diga o Senhor, Deus do rei, meu senhor” (1Rs 1.36). Quando Davi louvava ao Senhor diante da congregação o povo respondia com um sonoro Amém: “Louvado seja o Senhor, Deus de Israel, de século em século. E todo povo disse: Amém! E louvou ao Senhor.” (1Cr 16.36). Então, quando a pessoa responde o “amém”, ela está dizendo assim: “Eu concordo que assim seja feito, ou com o que foi feito (ou dito)”.

No contexto de hoje, nos cultos, quando o público é cumprimentado e responde “amém”, está afirmando que está de acordo com aquela saudação, e também de acordo que o orador continue falando.

Quando a pessoa que saúda ao mesmo tempo diz “amém”, ela está dizendo assim: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor, assim seja, e eu concordo que eu continue falando, e/ou cante o hino”. Tem algum sentido nisso? Logicamente que não. Por que, então, um grande número de pessoas que fazem uso da palavra, nos púlpitos de nossas igrejas, reiteradamente comete tal equívoco, quanto à saudação aos irmãos e amigos que ali se encontram?

Bom, deve ser porque aprenderam errado o modo de saudar a igreja quando recebem oportunidade, pois, infelizmente, o novo crente tem maus exemplos todos os dias em nossas reuniões, e assim ele aprende errado.

Pode ser também que seu referencial (a pessoa que lhe ensinou) no início de sua fé ou quando começou a receber oportunidades fazia assim, por isso aprendeu errado e continua reproduzindo o erro para os demais que o ouvem. Assim vamos criando uma geração de pessoas que usam mal as palavras nos púlpitos de nossas igrejas.

A expressão “Amém” também pode ser usada quando terminamos o serviço espiritual que estávamos realizando, significando que chegou ao fim da pregação, do louvor, da oração ou do culto. Temos como exemplo o duplo amém de Davi: “Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, que só Ele faz maravilhas. E bendito seja para sempre o seu nome glorioso: e encha-se toda a terra da sua glória. Amém e Amém” (Sl 72.18,19). Outros textos nos mostram também o amém no final do serviço prestado ao Senhor (Mt 6.13; 2Co 13.13).

·                “Saldo os irmãos” ou “Saúdo os irmãos”?

Há ainda, os que ao invés de dizerem saúdo os irmãos com a paz do Senhor”, dizem saldo os irmãos...”. Mesmo sabendo que esse é um erro de pronuncia em nossa língua portuguesa, e não é nossa intenção corrigir os equívocos da língua, mas os modismos ou jargões falados em nossas reuniões de culto, entendo ser importante esclarecermos também a diferença entre o verbo “saudar”, conjugado na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo - “saúdo” -, que se refere ao ato de cumprimentar, felicitar alguém, dar boas-vindas, e  o verbo “saldar” (do substantivo “saldo”), que é sinônimo de “pagar” ou “quitar”, quando, por exemplo, dizemos que vamos “saldar a dívida” – não queremos dizer que vamos cumprimenta-la, mas que vamos pagá-la! Portanto, a palavra saúdo é a palavra correta para cumprimentar a igreja, e deve ser pronunciada, colocando força na pronuncia do “ú”, em que está com o acento agudo, para que a palavra seja de fato pronunciada corretamente.

Há várias maneiras corretas, para nossas saudações iniciais, vejamos algumas: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor”; “Saúdo a todos os irmãos com a paz do Senhor”; “A paz do Senhor para todos meus amados irmãos”; “A graça e a paz do Senhor para todos”; “Graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo para todos irmãos”; “A paz do Senhor para todos”, etc. (Vale salientar que a forma de saudar o público difere entre as denominações evangélicas, e até mesmo nas regiões de nosso Brasil).

Você notou que em nenhuma delas há a expressão “amém”? Pois bem, o “amém”, quem deve responder é o público a quem você se dirige e nunca você que está saudando. Portanto, vamos aprender a usar bem o tempo tão precioso que temos no púlpito, com palavras sábias, pois o púlpito é um lugar especial na casa de Deus, não com conotação espiritual, mas social. Enquanto você está ocupando esse lugar de destaque, existem muitos que estão desejosos por estar em seu lugar. Uma boa dose de coerência não faz mal a ninguém!

domingo, 2 de janeiro de 2022

A BOA, AGRADÁVEL E PERFEITA VONTADE DE DEUS

 


E não vos conformeis com este mundo, as transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis  qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

 

Como seres pensantes, racionais que somos, temos nossas próprias vontades. Usando nossos cinco sentidos da vida, produzimos nossas vontades (Vontade de comer uma fruta, por exemplo). E, por mais que saibamos que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita, insistimos em fazer a nossa própria vontade. Talvez, seja por parecer, que nossas vontades são mais confiáveis, tangíveis, palpáveis.

O exemplo da fruta, não foi por acaso. Lembremos que a primeira vontade contrária a vontade de Deus, do casal edênico, foi exatamente em comer uma fruta. Nesse caso, não era da vontade de Deus que eles comessem aquele fruta. E assim que comeram, morreram.

Há vontades que temos, que são boas e agradáveis também. Há àquelas, que mesmo sendo boas e agradáveis aos nossos olhos, e aos demais sentidos da vida, não são da vontade de Deus, e, não sendo da vontade de nosso Pai celestial, certamente também, não será boa para nós. Vejamos este texto bíblico: “E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também ao seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3. 6). Parecia que tudo daria certo, pois, na concepção de Eva, após a apologia feita pela serpente, que, se Deus não queria que eles comessem, era simplesmente “porque Deus sabe que, no dia em que comerem, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3. 5). Porém, não deu certo não. As consequências não tardaram a chegar. O casal passou a experimentar a morte espiritual e a falta de comunhão com o Criador. Foram expulsos do jardim e uma vida dura, de suor e lágrimas começou. Como se isso não bastasse, as consequências, compulsoriamente passou a todos da raça humana. Tudo porque, fizeram a sua vontade e não a do Senhor Deus.

Jesus, o último Adão, cedeu a sua vontade, para dar lugar à vontade do Pai. Lá no Getsêmani, apartando dos seus discípulos, disse em oração ao Pai: “...Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22. 42). O Filho de Deus, o Verbo encarnado, já havia dito: “... A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4. 34). Disse ainda: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou” (Jo 5.30). Quando anunciaram que sua mãe e seus irmãos, estavam fora e queriam vê-lo, disse: “Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, este é meu irmãos, e irmã, e mãe” (Mt 12.50).

Quando chegou o momento da cruz, não propriamente a cruz de madeira, mas, a cruz dos pecados, da maldição, do juízo do Pai sobre toda a humanidade, e o Filho vendo que tudo aquilo recairia sobre Ele, disse: “A minha alma está profundamente triste até a morte;...” (Mc 14. 34). Então, Jesus teve uma vontade própria sua. Quem sabe, provindo daquela tristeza profunda, disse: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice;...” (Mc 14. 36). A vontade do Filho era que aquele sofrimento se afastasse, sem que fosse preciso passar, mas, naquele momento, mais uma vez, nosso Salvador, demostrou, que queria fazer a vontade do Pai, não apenas nos bons momentos, mas, muito mais agora, em momentos de grande aflição, tristeza e dor, e diz: “...não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres”. Passando pelo caminho da dor, do sofrimento e da maldição por nossos pecados, Jesus foi ao patíbulo da cruz e morreu como pagamento do juízo de Deus, que recairia sobre toda a humanidade. Na hora que ele brada “Está consumado”,  estava dizendo, que aquela dívida, que a humanidade devia, a partir do momento que Adão fez a sua vontade, comendo do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, agora estava cancelada, porque Ele, Jesus, o Messias, o último Adão, não fez a sua vontade, mas a vontade do Pai.

Muitas vezes, para fazermos a vontade de Deus, passamos por caminhos dolorosos. Nossas vontades precisarão ser suprimidas. Quem sabe, falaremos: Mas Senhor, queria tanto, gosto tanto, amo tanto, desejo tanto isso ou aquilo. E o Senhor vai nos dizer: Mas eu não gosto, eu não amo, eu não desejo isto para você. Isso não te fara bem. Isso te levará a ruina. Outra vezes vamos dizer: Senhor, será mesmo que preciso passar por esse caminho tão estreito? Por essa prova tão grande? Por este vale tão doloroso? Então o Senhor vai nos dizer: Sim, é preciso. Além desse vale doloroso está a tua coroa. Mais adiante, você vai me agradecer por ter passado por esse lugar. Foi exatamente nesse vale que você aprendeu a confiar mais em mim. Foi exatamente nesse caminho espinhoso que você contemplou a minha gloria.

Concluo, dizendo, que, por mais que, fazer a vontade de Deus pareça ser difícil, até impossível, ela não deixará de ser a boa, agradável e perfeita vontade. Ela é ascendente: Boa, agradável e perfeita. A vontade de Deus é como a luz da aurora, pois vai cada dia mais clareando, brilhando, até dar seu brilho com toda intensidade. Ao passo que nossa vontade, começa, aparentemente boa, porém, seu final poderá ser desespero, tristeza, amargura e morte.

Vamos nos esforçar, e pedir ao Santo Espírito, que nos ajude à fazermos sempre a vontade de nosso Pai que está nos céus.

Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt 6. 10).

Vosso em Cristo

Pr Daniel Nunes

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

A BÍBLIA NÃO VAI DIZER

 Virou moda dos novos pregadores, usar a seguinte expressão: A Bíblia vai dizer. Fico ainda mais espantado quando ouço até pregadores e pregadoras, que eram para ser maduros, pelo tempo que ministram a Palavra, usarem do mesmo artificio. Porém, posso afirmar categoricamente e, sem medo de errar, que a Bíblia não vai dizer mais nada. Tudo o que precisava ser dito, já foi dito. João evangelista, que foi o último dos escritores sagrados, escreveu por volta do ano 100 d.C. finalizou o cânon dizendo: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da Cidade Santa, que estão escritas neste livro” (Ap 22.18,19). Paulo escrevendo aos Romanos disse: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito...” (Rm 15.4). O que era para ser escrito já foi escrito. E tudo o que era para ser dito, já foi dito. Disse Jesus “Quem tem ouvidos ouça, o que o Espírito diz às igrejas” (Ap 2.7).

Aprendendo com os profetas do Antigo Testamento

Quando Moisés e Arão, chegaram diante de Faraó, para libertar os filhos de Israel de suas mãos, o Senhor lhes ensinou assim: “Então dirás a Faraó: Assim diz o Senhor; Israel é meu filho, meu primogênito. Então, ao chegarem lá, assim nos diz a Bíblia: “E, depois, foram Moisés e Arão e disseram a Faraó: Assim diz o Senhor, Deus de Israel: Deixa ir o meu povo,...” Êx 4.22; 5.1).

Esta expressão: Assim diz o Senhor, vamos encontrar, de forma repetida, inúmeras vezes na boca de seus profetas. Caso o leitor queira conferir, é somente ler as demais passagens bíblicas, e verá que nunca um profeta do Senhor usou a expressão “O Senhor vai dizer” (1Sm 2.27; 15.2; 2Sm 7.5; 7.8; 12.7; 1Rs 17.14; 20.42; 2Rs 1.4,6,16; 2.21; 3.16; 19.6,20).

O profeta Daniel, se expressou da seguinte maneira: “Sim, todo Israel transgrediu a tua lei, desviando-se, para não obedecer à tua voz; por isso, a maldição, o juramento que está escrito na Lei de Moisés, servo de Deus,...” (Dn 9.11), e disse mais: “Como está escrito na lei de Moisés, servo do Senhor...” (Dn 9.13). Vejamos, que  Daniel não ficou dizendo: Moisés vai dizer. Não, nada disso. A expressão é inequívoca: “Como está escrito...”. O anjo que veio para trazer a resposta da oração ao profeta Daniel, também foi fiel ao dizer: “Mas eu te declararei o que está escrito na escritura da verdade...” (Dn 10.21).

Poderíamos encher muitas folhas com versículos que com a expressão “assim diz o Senhor”. Na Nova Versão Internacional, a famosa NVI, encontramos 276 vezes “assim diz o Senhor”. Somente no profeta Jeremias, são 141 vezes.

Novo Testamento

Veremos, como foi que Jesus, o Mestre dos mestres, mencionou as Escrituras, quando necessário.

Quando Jesus foi tentado pelo diabo, por três vezes usou a expressão está escrito: “...está escrito: Nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”; “... também está escrito; não tentarás o Senhor teu Deus”; “...porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás” (Mt 4. 4,7,10).

Jesus, ao se dirigir aos fariseus, disse: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidas ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (Jo 5.39). Ele não disse que as Escrituras testificariam, no futuro, mas no presente; elas testificam.

Como também, ao se dirigir aos dois discípulos no caminho a aldeia de Emaús, disse: “E ele lhes disse: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram” (Lc 24.25). Veja bem, que se Jesus fosse como esses tais pregadores, ele iria assim dizer: Néscios e tardos de coração, os profetas vão dizer que ele tinha que padecer.

O discurso de Pedro, no dia pentecostes, também é um exemplo para os referidos pregadores, para que aprendam com a Bíblia e não com professores equivocados, que além de cometerem o erro, ainda ensinam os mais novos o caminho errado. Vejamos, como foi que o apóstolo Pedro se expressou em sua pregação ao citar as Escrituras: “Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo esta a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: ...” (At 2. 15,16). Se ele fosse do tipo desses pregadores, diria: Nada disso meus conterrâneos, o profeta Joel vai dizer, que...”.

Paulo nos dá uma grande lição acerca disso quando diz: “E eu, irmãos, apliquei essas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós, para que, em nós, aprendais a não ir além do que está escrito,...” (1Co 4.6). Interessante isso! Paulo fala daquilo que já está escrito. Não disse, que iam dizer, que iam escrever, mas que já estava escrito.

Amados, escrevo estas linhas, apenas para alertar aos novos pregadores, que aprendam corretamente, com os profetas, com Jesus e com os apóstolos, bem como, com os pregadores que continuam a trilhar por caminhos corretos, interpretando e verbalizando a Palavra de Deus.

Em outro momento, quero escrever sobre a expressão “Eu profetizo sobre sua vida”. Veremos se tem base ou cunho bíblico.

Em Cristo Jesus

Pr Daniel Nunes

domingo, 12 de dezembro de 2021

O ZELO DO APÓSTOLO PAULO PELA SÃ DOUTRINA

 

LIÇÃO 11

Texto Áureo

Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4.16).

VERDADE PRÁTICA

A igreja de Cristo é a única instituição divina na terra que preserva e defende a sã doutrina diante dos enganos e males das heresias.

Leitura Bíblica em Classe – 1Tm 6.3-6,11; 2Tm 3.14-17

 

INTRODUÇÃO

Nós, como cristãos evangélicos e pentecostais, cremos como doutrina fundamental de nossa fé e prática, na inerrância e na inspiração plena e infalível da Bíblia Sagrada a Palavra de Deus. Como diz na interação com o professor: “Zelar pela sã doutrina que se encontra nas Escrituras Sagradas é inegociável. Em tempos de ventos de doutrinas, torna-se urgente, a partir da vida e ministério do apóstolo Paulo, reafirmar o nosso compromisso com a Sã Doutrina esposada na Bíblia, a Palavra de Deus”.

Veremos nesta lição, o por que zelar pela Sã Doutrina?; E, qual o ponto de equilíbrio da Sã Doutrina? Bem como, veremos outros pontos de suma importância para a sustentação da Sã Doutrina, e o bem que isso nos faz.

I – ORTODOXIA VERSUS HETERODOXIA

Veremos esses dois termos, que tem suas raízes na língua grega, e ainda veremos um terceiro termo, a ortopraxia. Aprendendo esses termos, poderemos ver, a doutrina correta, a prática correta, ou o ensino desviado, adulterado, mesclado, bem como seus praticantes.

1 – Conceito de ortodoxia. Paulo escrevendo a sua segunda carta a seu filho na fé, Timóteo, disse: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2.15). A expressão “Manejar bem” vem do grego orthotomeo, que significam, fazer um corte reto; expor corretamente a mensagem divina – dividir corretamente. O prefixo orthos, significa correto, direito, reto, certo, e o sufixo temnõ, significa, cortar ou dividir. Fazer um corte reto, dividir corretamente. No Novo Testamento, usado com sentido figurado; lidar corretamente, habilmente; ensinar corretamente a palavra da verdade (2Tm 2.15). Esse termo temno  é derivado tomõtero, significando uma lâmina afiada (Hb 4.12; Ef 6.17; Ap 1.16), possibilitando que faça um corte reto, correto em um único golpe.

2 – O que é de fato doutrina? Essa palavra “Doutrina”, vem do grego didaskalia = Instrução, doutrina, aprendizagem. Substantivo do verbo didasko = ensinar, ensino ou instrução, instruir (Rm 12.7; 1Tm 4.13,16; 5.1). Com o sentido de alerta ou admoestação (2Tm 3.16; Dt 6.6-9; Js 4. 6,7; Ef 6.4; Sal 23.4). Dai vem a palavra doutor, didasko  (At 13.1; Ef 4.11). Um doutor é um indivíduo que tem competência para falar, fazer e agir com maestria dentro de um assunto, fazendo e ensinando direito (2Tm 1.11).

3 – Conceito de heterodoxia. Heteros significa “diverso”. Então, heterodoxia, significa “múltiplas, ou diversas opiniões”. Veja bem, que quando Paulo fala das Sagradas Escrituras, ele usa a palavra “doutrina”, sempre no singular (2Tm 4.2,3), porém, quando fala da falsa doutrina, ele fala no plural (1Tm 4.1). Há um pluralidade de falsas doutrinas nos últimos dias, que Paulo também chama de “ventos de doutrina” (Ef 4.14). Como disse nosso comentarista: “Se a ortodoxia tem um só parecer, a heterodoxia implica várias opiniões a respeito de um mesmo objeto”. A partir desse conceito da heterodoxia, criaram então o conceito que nada é absoluto, que nada pode ser dito que é verdadeiro. A pós-modernidade prega que aquilo que é verdade para um, pode não ser verdade para o outro. Porém, Jesus disse: “Eu Sou o caminho, a verdade e a vida...” (Jo 14.6). A Bíblia, assim como ensinou Martim Lutero,  o reformador da Igreja, tem a palavra final de tudo e não o homem. Dai uma das solas da reforma ser “Sola scriptura”. Somente as Escrituras poderia dar a palavra final em qualquer assunto sobre a salvação dos homens, não a igreja, suas tradições, etc.

3 – Conceito da ortopraxia. Essa palavra significa “ação correta”. Como disse Jesus aos seus discípulos: “Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes” (Jo 13.17). Não adianta somente saber o que é certo, mas sim, fazer o que é certo. Jesus comparou o homem que escuta as suas palavras e as praticam, como alguém que construiu sua casa sobre a rocha (Mt 7. 24). Paulo, escrevendo aos crentes da cidade de Éfeso, disse: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10).

II – A AMEAÇA DE CORRUPÇÃO DOUTRINÁRIA

1 – A advertência do apóstolo. Paulo tinha um cuidado muito grande, para que seus alunos, entre os quais estavam Timóteo e Tito, que não ensinassem, nem permitissem que outros ensinassem, aquilo que ele chamou de “Outra doutrina” (1Tm 1.3; 6.3,4; 2Tm 2.2; Ti 1.8-11; 2.1,7).

Paulo manda que Timóteo conservasse o modelo das Sãs Palavras (2Tm 1.13). Naquele tempo já haviam muitos que queriam mudar o modelo da doutrina ensinada pelos apóstolos, e que as igreja primitiva havia perseverado nela (At 2.42; Ef 2.20). Logo, a Doutrina cristã é ortodoxa, quer dizer, correta, direita, reta, enquanto for coerente com o que Cristo e os apóstolos ensinaram.

Como te roguei, quando parti para a Macedônia, que ficasses em Éfeso, para advertires a alguns que não ensinem outra doutrina” (1Tm 1.3). Esse termo, “outra doutrina”, no grego é heterodidaskalein. Ela era uma doutrina mesclada, pluralizada, misturada, portanto, adulterada. Pedro, ao falar do alimento que os novos convertidos deveriam tomar, disse: “Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que, por ele, vades crescendo” (1Pe 2.2). Pedro, aqui, usa o simbolismo do leite, para se referir a verdadeira doutrina da Palavra de Deus .

Paulo temia, que homens inescrupulosos adentrassem ao arraial dos santos e maculassem a verdadeira doutrina (At 20.29,30; 2Co 11.1-4).

2 – Quais eram os problemas de ordem doutrinária? As igrejas já no primeiro século, sofriam a infiltração de conceitos filosóficos pagãos e judaizantes na interpretação das Sagradas Escrituras e da doutrina dos apóstolos. Alguns, nas igrejas de Éfeso e Corinto, afirmavam crer no evangelho, porém, não renunciavam os costumes pagãos (1Co 8.1,4,10). Outros traziam uma bagagem religiosa do legalismo judaico, aliada ao gnosticismo (1Co 1.12; At 15.1; Gal 1.6,7). O pastor Elienai Cabral nos diz: “É lamentável que, hoje, haja os que defendem a banalização da graça de Deus para, em nome dela, viverem em licenciosidade; e os judaizantes que confundem a liturgia cristã com a judaica, bem como a moral cristã com o legalismo judaico. A igreja de Cristo pertence a um novo tempo e deve obedecer ao ensino do Novo Testamento”.

3 – Fábulas e genealogias intermináveis. Os contadores estórias sempre existiram. Culto aos anjos (Cl 2.18). Sabemos, como disse o Escritor aos Hebreus a respeitos dos anjos “Não são, porventura, todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” (He 1.14),. Porém, não devem ser cultuados (Ap 22.8,9), nem tão pouco, devemos nos prostar diante dos homens para adora-los (At 10.25,26). Hoje em dia, com a pregação de um evangelho barato. Rico em achismos, malabarismos, e vans filosofias, porém, paupérrimo em verdadeira interpretação bíblica. Fraco de conteúdo doutrinário, onde Cristo não se encontra na maioria das pregações. Pregam um evangelho antropocêntrico, onde o homem e não Deus é o centro dele; as pessoas se tornam presas fáceis, para tais pregadores, pois todos são nuvens sem água, e manchas em nossas festas do ágape.

Não faltam doutores, didaskalos, mas, são falsos mestres, como disse Paulo: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2Tm 4. 3,4).

Nos faz lembrar do povo de Israel nos tempos de Jeremias, quando disseram: “... Vinde, e maquinemos projetos contra Jeremias; porquanto não perecerá a lei do sacerdote, nem o conselho do sábio, nem a palavra do profeta; vinde, e firamo-lo com a língua e não escutemos nenhuma das suas palavras” (Jr 18.18).

Que tipo de profeta ou sacerdote os povo queria:

a.     Sacerdotes que não ajudavam, antes atrapalhavam o povo (Jr 23.1);

b.    Sacerdotes e profetas contaminados (23.11);

c.     Sacerdotes que faziam errar o povo (23.13);

d.    Sacerdotes que alimentavam o mal e o engano (23.14);

e.    Sacerdotes que enchiam o povo com falsas esperanças (23. 16,17).

Que tipo de pregador p povo sem compromisso com a sã doutrina quer ouvir? (2Tm 4.3,4).

a.     Mestres segundo as suas próprias cobiças  (que não os repreenda);

b.    Que não cause coceiras em seus ouvidos (pregadores do amor, mas não da justiça de Deus). Não toque na palavra pecado, queremos ouvir da prosperidade financeira, saúde do corpo, beleza, glamour, etc.

c.     Contadores de fábulas (1Tm 4.7; Tt 1.14).

 

III – A IGREJA COMO GUARDIÃ DA SÃ DOUTRINA

1 – A Igreja é coluna e firmeza da verdade.  Escrevendo a Timóteo, Paulo declara, que a Igreja é a coluna e firmeza da verdade. Na ARA diz: “Coluna e baluarte da verdade” I1Tm 3.15); Na versão Transformadora diz “Coluna e alicerce da verdade”; Na NVI diz “Coluna e fundamento da verdade”. Como escreveu o pastor Elienai Cabral: “A igreja é a demonstração viva e santa da verdade do evangelho. Seu papel é o de sustentar, manter e defender a verdade contra todo erro e oposição intelectual, religiosa e filosófica dos falsos mestres. A igreja não pode descuidar desse seu primordial papel. Ela não está aqui no mundo como uma organização a mais. Ela não é uma mera associação, como tentaram fazer dela assim, aqui no Brasil, alguns anos passados. Ela é a coluna e firmeza da verdade. Ela precisa manter-se firme, irremovível, incólume,  no combate a toda sorte de heresias que combatam a sã doutrina.

2 – O objetivo do zelo pela sã doutrina.  Nosso comentarista, aponta a prática do amor, como objetivo do zelo pela sã doutrina (1Tm 1.5), e diz: “O falso ensino e os falsos mestres geram contenda, dissensões e gangrena na comunhão. Logo, não há cristianismo ortodoxo sem a prática do amor de um coração puro e de uma fé não fingida”.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

A APATIA PELA ORAÇÃO

 Todo cristão consciente sabe o grande valor da oração. A Bíblia está eivada de exemplos de homens de Deus que venceram as mais ferrenhas batalhas orando. Como é o caso de Daniel, quando o rei Nabucodonosor, prometeu matar todos os sábios do reinado da Babilônia, caso eles não revelasse  misterioso sonho que tivera e esquecera. Como saber interpretar um sonho que o rei esqueceu? A resposta dos sábios estava certa, quando disseram: “Porquanto a coisa que o rei requer é difícil, e ninguém há que a possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne” (Dn 2. 11). O rei enfurecido, mandou que matassem a todos sábios da Babilônia.

Naquele reinado estavam os servos do Deus Altíssimo, Daniel, Misael, Ananias e Azarias. E Daniel perguntou a Arioque, capitão da guarda do rei, que tinha saído para matar os sábios e disse: “... Por que se apressa tanto o mandado da parte do rei? Então Arioque explicou o caso a Daniel. Então Daniel entrou e pediu ao rei que lhe desse tempo, para que pudesse dar a interpretação” (Dn 2. 15,16). E foi, exatamente através da oração que a resposta veio. “Então, Daniel foi para a sua casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, para que pedissem misericórdia ao Deus dos céus sobre este segredo... Então foi revelado o segredo a Daniel numa visão de noite...” (Dn 2. 17,18,19). Gloria a Deus!

Se sabemos o grande poder da oração, por que oramos tão pouco? Por que essa apatia tão grande por parte dos cristãos quanto a oração? Gostamos de cantar muito, pregar muito, fazer grandes festas. Gostamos de estar na internet, nos blogs, no face book, no zap, no Instagram, etc.   Se somos convidados para cantar, aceitamos de imediato. É só falar que vai ter festa que já estamos lá. Convide-nos para ser o cantor da noite; para ser o pregador do culto; menos para orar!

Orar não dá ibope. Não chama a atenção de ninguém. Não dá like. Não são muitas curtidas quando oramos. Até porque, orar é ter intimidade com Deus. Orar é uma vida de anonimato, onde somente o crente e Deus sabe. São as caladas da noite, as madrugadas, as vigílias, onde a alma do cristão se derrama aos pés de Cristo e a resposta vem.

Porém, nossa carne quer público, elogios, aplausos. Por esse motivo não gostamos de orar.

Voltemos à oração!

Pr Daniel Nunes

terça-feira, 16 de novembro de 2021

PAULO, O PLANTADOR DE IGREJAS

 

LIÇÃO 07

Texto Áureo

Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento” (1Co3.6)

Verdade Prática

A experiência com Cristo é o mais poderoso fator motivacional para plantar igrejas.

Leitura Bíblica em classe: 1Co 3.6-9; At 13.1-3; 16.1-5,9,10

Objetivo Geral: Motivar a igreja local para plantar mais igrejas.

Objetivos específicos

I –   Mostrar que Paulo foi um desbravador sob uma gloriosa obrigação;

II –  Sinalizar Antioquia como ponto de partida para o crescimento da igreja;

III – Pontuar as característica de um plantador de igrejas.

INTRODUÇÃO

Nesta lição veremos a imagem agrária que Paulo tem da igreja. Aqui ele se coloca como evangelista plantador e seu companheiro, Apolo, como professor regador, e Deus, como aquele que faz a planta crescer. Em Isaías 61.3 lemos: “a ordenar acerca dos tristes de Sião que se lhes dê ornamento por cinza. Óleo de gozo por tristeza, veste de louvor por espírito angustiado, a fim de que se chamem árvore de justiça, plantação do SENHOR, pra que ele seja glorificado”.

Sem querer menosprezar o trabalho prestado pelos missionários, Paulo pergunta: “Pois quem é Paulo e quem é Apolo,...” (1Co 1.5) e responde no verso 7 dizendo: “Pelo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento”. Isso é muito interessante a ser estudado, pensado e refletido, em um mundo hodierno, onde todos querer ser o mais importante, quando se trata do crescimento de uma obra. Todos querem seus egos massageados.  Porém, Paulo não fazia isso, nem como ele mesmo, nem com os outros. Na verdade, ele estava com essas palavras, desfazendo uma contenda que estava havendo entre os irmãos em Corinto, onde dizia um “Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo...” (1Co 3. 4). Paulo então nos diz que eles nãos estavam em nenhuma disputa, mas que seus ministérios são complementares, e os dois eram “cooperadores de Deus” (v.9).

Nesta lição veremos como foi o processo de plantação de igrejas que Paulo executou. Quer dizer: Quais seus métodos, maneiras, onde começou, e, quais as características do plantador de igrejas locais frente aos novos desafios.

 

 

I – PAULO, O DESBRAVADOR SOB UMA GLORIOSA OBRIGAÇÃO

1 – Paulo, o desbravador. O desbravador é uma pessoa que se lança ao desconhecido. É um explorador de lugares onde antes ninguém palmilhou. Disse Paulo “E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo houvera sido nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio” (Rm 15.20) (2Co 10.16). Ele disse que tinha colocado o fundamento, e que esse fundamento era Cristo (1Co 3. 10,11), e que cada um pudesse ver como edificaria sobre esse fundamento. Há hoje em dia, muitos usando o fundamento do nome de Jesus, porém, o edifício são de obras puramente humanas, e não espirituais (1Co 3.12-15).

Paulo dedicou a sua vida para propagar o evangelho de Jesus e cumprir sua missão no mundo gentílico (At 20.24; 2Co 12. 15). Paulo foi o maior contribuinte de todos os tempos na implantação de igrejas e no crescimento da fé cristã. Não houve quem plantasse tantas igrejas em tão pouco tempo, como o apóstolo Paulo. Sem sombra dúvida, Paulo nos constrange a semear o Evangelho e a plantar igrejas em lugares onde pessoas nunca ouviram falar das boas novas.

Minha experiencia em campo missionário, foi ver pastores e missionários amontoados, algumas vezes discutindo por causa de números maiores de crentes, quando havia muitos lugares que Jesus ainda não era conhecido. Na Bolívia, todos os missionários que chegaram do Brasil, principalmente, ao longo de 40 anos,  queria se estabelecer na cidade de Santa Cruz ou Cochabamba, porque eram cidades grandes, tinha de tudo para comprar, daquilo que os brasileiros gostam de comer ou usar. Não queriam ir para o sul da Bolívia, como as cidades de Sucre, Potosí, Tarija, Oruro, etc. Foi exatamente para lá que Deus nos conduziu.

2 – Uma gloriosa obrigação. Para um salvo por Cristo, conhecedor do seu evangelho, ser chamado e obrigado a divulgar essa boa notícia, seria como nos acostumamos dizer: “é juntar a fome com a vontade de comer”. Outros dizem: “É jogar o sapo na água”. Por isso, pode sim, ser chamado de “Uma gloriosa obrigação”. Porém, Paulo, chama a nossa atenção para a responsabilidade dessa obrigação,  quando diz: “Porque, se a anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim se não anunciar o evangelho! E, por isso, se faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada” (1Co 9.16,17). Apesar da obrigação ser gloriosa, se não for cumprida a risca haverá punição (Mt 25.24-30). Disse Paulo: “...ai de mim se não anunciar...”. Quer dizer: sofreria grandes aflições. Paulo não nos diz qual seria a natureza dessas aflições, mas, já é suficiente saber que o fracasso em pregar o evangelho trará grandes calamidades para àqueles que são chamados como Paulo. Devemos lembrar da chamada de Jeremias (Jr 20.9).

3 – Plantação de igreja, uma parceria. A vida é construída de solidariedade. Assim estabeleceu o SENHOR, para que ninguém viesse a dizer que fez tudo sozinho. O Senhor Deus, poderia fazer tudo sozinho, porém não o fez. Preferiu compartilhar essa missão da plantação de igrejas com homens, seus servos a quem ele salvou e comissionou para tão nobre e sublime missão (Mc 1.16,17). Portanto, Paulo vê essa missão, como um trabalho em parceria com Deus, onde o homem planta e rega e Deus, e unicamente Deus pode dar o crescimento. Não podemos menosprezar e dizer que Jesus não precisa de nós. Ele poderia até ter feito assim, porém, de sua livre vontade, preferiu contar conosco, assim, como ele contou com aquele simples jumentinho, ao dizer: “...Ide à aldeia que está defronte de vós; e, logo que ali entrardes, encontrareis preso um jumentinho, sobre o qual ainda não montou homem algum; soltai-o e trazei-mo, E, se alguém vos disser: Por que fazeis isso? Dizei-lhe que o Senhor precisa dele,...” (Mc 11. 2,3). Jesus precisa de mim e de você, porém, não devemos nos orgulhar, para que não venhamos trabalhar em vão (1Co 3. 6-9). Portanto, nós, os servos do Senhor, temos a sublime missão de semear (Mt 13.3), e Deus fará germinar a semente. Deus e o homem cooperam na plantação de igrejas (Mc 16. 15,20).

 

II – ANTIOQUIA, O PONTO DE PARTIDA PARA O CRESCIMENTO DA IGREJA

1 – Uma igreja missionária. Devemos lembrar que a igreja em Antioquia, havia sido plantada por irmãos que saíram de Jerusalém, por causa da grande perseguição, e onde eles ia, anunciava a palavra de Deus, e chegaram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, a princípio não falando a outros a palavra a não ser aos judeus (At 11. 19), porém, Lucas nos relata que, alguns varões de Chipre e Sirene que havia entre eles, “... entrando em Antioquia, falaram aos gregos, anunciando Jesus” (At 16. 20). Então, o evangelho se expandiu de tal forma, que Barnabé, foi a Tarso em busca do doutor Saulo, para que o mesmo ajudasse na ministração do ensino aos crentes daquela cidade (At 11.25,26).

Deus levantou muitos profetas e doutores naquela igreja (At 13.1), e foi exatamente dali o ponto de partida para as viagens missionárias de Paulo e Barnabé, onde sob a égide do Espírito Santo, partirão, após a imposição das mãos dos demais obreiros que ficaram, e com jejum e oração, desceram para a Selêucia, e prosseguiram viagem (At 13.2-4).

2 – A primeira viagem missionária (At 13,14).Todas as viagens missionários de Paulo começam com a ação do Espírito Santo (At 13.1-12). Será que hoje mudou? A maneira é diferente? Não. Se fizermos diferente da cartilha missionária não haverá bons resultados! Lucas pontua que, nas três viagens, Paulo faz a obra de um apóstolo e profeta cheio do Espírito Santo (At 13.4; 16. 6-8; 19.1-7). Será que não é isso que o mundo está precisando? Homens e mulheres cheios verdadeiramente do Espírito Santo? Não apenas barulhentos, movimenteros, sapateadores, bravateiros nos púlpitos, mas, homens e mulheres verdadeiramente cheios do Espírito e que ouçam a sua maravilhosa e diretiva voz (At 16.6,7).

Na implantação de igrejas há muitos desafios, assim como Paulo e Barnabé encontraram à sua frente (At 13. 6-12). Não é um trabalho fácil, nem será realizado por covardes e medrosos, mas por valentes de Deus (Js 1.9).

3 – A segunda viagem missionária (At 16-18). Após o concilio de Jerusalém, para resolver um problema de ordem doutrinária (At 15), Paulo volta visitar as igrejas que ele tinha plantado, a partir das regiões do Oriente para o Ocidente, envolvendo a Ásia e a Europa. Houve uma mudança de rumo, tudo isso na direção do Espírito Santo, e acabou indo para as regiões macedônicas (At 16.9,10). Então, Paulo empreende uma viagem que incluiu as cidades de Derbe, Listra, Troas, Filipos, Tessalônica, Bereia, Atenas, Corinto, Éfeso. Outras cidades foram alcançadas pelo ímpeto evangelístico do apóstolo e inúmeras igrejas foram plantadas. Como é maravilhoso quando estamos na dependência do Espírito Santo, temos uma visão ampliada acerca do Reino de Deus.

III – CARACTERÍSTICA DE UM PLANTADOR DE IGREJAS

1 – Motivados pelo chamado. A quem Deus chama, capacita, a quem Ele capacita, envia e a quem Ele envia, cuida. A maior motivação de um plantador de Igrejas, assim como Paulo, deve ser o chamado divino (At 9.17-22). Na vida de Paulo, tudo começou no caminho de Damasco (At 9. 4,5). Sempre haverá um ponto de partida em que somos tomados pela consciência daquilo que Deus nos chamou para fazer (1Sm 16.13). Paulo tinha muita consciência do seu chamado (Gal 1.1; Ef 1.1).

2 – Experimentado no deserto da vida. No deserto Deus trabalha em nosso temperamento, caráter, personalidade, espiritualidade, etc. Assim foi com Moisés, Elias, João Batista, Paulo, e até Jesus passou por lá. Será que não precisamos passar? Sim todos nós passamos por nossos desertos da vida. É exatamente no deserto que somos forjados para enfrentarmos os duros desafios na plantação de igrejas (1Co 16.8,9).

3 – A Igreja segundo as Escrituras. É vergonhoso o que estão chamando de igreja por ai. Tem de tudo, menos as Escrituras. A igreja segundo as Escrituras, é um lugar onde devemos ter um relacionamento pessoal com Deus; onde há amor pelo pecador e pelos irmãos; onde há fé na Palavra de Deus, e o poder do Espírito Santo opera entre os crentes. Onde o povo de Deus é cheio do Espírito Santo, para o exercício do serviço cristão (At 1.8); onde há profusão dos dons espirituais, ministeriais e de serviço (1Co 12. 28-31); onde os demônios são expulsos; os enfermos são curados; a Palavra fiel é pregada na autoridade do Espírito; e onde os obreiros não desprezam a oração e a ministração da Palavra (At 6.4). Nessa igreja, disse o pastor Elienai Cabral: Batizamos em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, partilhamos da ceia do Senhor e aguardamos a sua volta para nos encontrarmos com Ele. Não podemos perder de vista que nós plantamos, mas é Deus que dá o crescimento e aprova a obra (1Co 3.6).

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

O PERIGO DO SONO DEMASIADO

 


Desperta, ó tu que dormes...” (Ef 5.14)

O sono é de suma importância para uma vida saudável. Ele revitaliza, descansa, recompõe as energias, controla o apetite, melhora o humor, a memória, o raciocínio, etc. Porém, já existem estudos científicos que provam que sendo um sono demasiado, ou em períodos com mais de oitos horas de duração, existem sérios riscos. Dormir demais gera doenças cardíacas vasculares e hipertensão, entre outras enfermidades.

Há tempo para todo o propósito debaixo do céu, inclusive o de dormir e o de manter-se acordado. Depois dos discípulos terem dormido por um tempo, Jesus chegou lhes disse: “...por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação” (Lc 22.46).

Abraão foi tomado por um profundo sono em uma hora muito errada, pois ele estava oferecendo sacrifícios ao Senhor (Gn 15.12). Enquanto ele se manteve acordado, enxotava as aves de rapina que queriam comer o seu sacrifício. Certamente, há hora que dormiu, essas mesmas aves tiveram espaço para invadir seu culto a Deus. Isso tem, certamente, um sentido espiritual muito profundo para todos nós. Não devemos dormir espiritualmente, pois os demônios estão à espreita para tentar roubar nosso sacrifício ao Senhor.

Sansão, o grande herói de Deus, perdeu os cabelos (pacto com Deus), a força, a intimidade com Deus e os olhos, por estar dormindo no colo de Dalila (Jz 17.19-21). É outro que dormiu na hora errada e no lugar errado. Dalila pertencia aos filisteus, portanto, inimiga do povo de Israel. Ela sabia também que Sansão estava devastando as terras filisteias, e, arquitetou um plano para inutilizar as suas forças. Tomemos todo cuidado, pois o inimigo não brinca e nem dorme em serviço, e nós também não podemos dormir.

O profeta Elias, após uma grande batalha contra os falsos profetas de Jezabel, e ameaçado por essa tirana mulher, debaixo de uma árvore de zimbro, pediu para morrer, deitou e dormiu. Porém, veio um anjo do Senhor e lhe disse: “...Levanta-te e come” (1Rs 19-4-8). Elias estava entrando em depressão, e precisava do socorro do Senhor. A Bíblia diz que “Deus é nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angustia” (Sal 46.1). O mesmo Deus que trouxe socorro e cura para Elias, trará também socorro e cura para você.

Disse Salomão quanto ao preguiçoso: “Um pouco a dormir, um pouco a cochilar; outro pouco deitado de mãos cruzadas para dormir, assim te sobrevirá a tua pobreza como um caminhante, e a tua necessidade como um homem armado” (Pv 24.33,34).

Eutico, caiu do terceiro andar e morreu, porque estava dormindo na hora do culto (At 20.7-9). Mais um dormindo na hora errada e no lugar errado. A sorte de Eutico é que tinha um Paulo cheio do poder de Deus, que, não foi zombar dele por ter dormido ou caído da janela, mas, com autoridade de Deus, repreendeu a morte, e o trouxe de volta ao seio da igreja, são e salvo.

As palavras de Paulo ressoam muito forte aos nossos ouvidos nestes tempos hodiernos, nesta última hora da igreja na face da terra; Não estamos aqui falando do sono material ou físico, mas do sono espiritual. Ouçamos o apóstolo: “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm 13. 11).

O inimigo aproveita o sono dos trabalhadores do reino, para semear o joio em nosso meio (Mt 13. 24,25).  Nestas últimas horas da igreja, precisamos manter-nos acordados e muito despertados, como disse Jesus: “Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria que fosse arrombada a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também, porque o Filho do Homem há de vir à hora que não penseis” (Mt 24.42-44).

Amém.

Vosso em Cristo

Pr Daniel Nunes