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domingo, 21 de fevereiro de 2021

A VIDA DIÁRIA DO CRISTÃO

 

Quando passares pelas águas, estarei contigo, e, quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem chama arderá em ti.” (Is 43.2)

Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33)

 

Não existe caminho sem vales e montanhas. Assim também não há cristão, por mais fiel que seja ao Senhor, que não passe por lutas e provas, algumas delas mais duras e aparentemente intransponíveis.

No texto de Isaias há três figuras elencadas pelo profeta: águas, rios e fogo. Todas elas, referem-se a provações, as mais diferentes e diversas, que temos que passar, enquanto caminhantes peregrinos e forasteiros neste mundo. No texto do Evangelho segundo João, Jesus resume tudo em uma só palavra: aflições. Exatamente assim, no plural: aflições. Aguas, rios e fogo. Ninguém escapa. Não adiante achar que é mais espiritual, mais amigo de Deus, mais profeta, mais pregador, que ora mais,  etc. Todo verdadeiro cristão vive o que falou Davi: “Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas” (Sal 34.19).

João Batista foi uma das figuras mais destacadas na Bíblia. Nenhum dos apóstolos, nem mesmo Paulo, tiveram alguma profecia sobre seus nascimentos no Antigo Testamento, mas o Batista sim. Dele está escrito: “Vos do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus” (Is 40.3). Jesus testemunhou dele dizendo: “Mas, então, que foste ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta; porque é este de quem está escrito: Eis que que diante da tua face envio o meu anjo, que preparará diante de ti o teu caminho. Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista...” (Mt 11. 9-11). E mesmo assim, ele passou tão grandes lutas, que chegou a duvidar que Jesus era de fato o Messias, que ele mesmo havia apresentado à multidão às margens do Jordão – ler Jo 1.29 e Mt 11. 2,3.

Jesus não mandou uma dura repreensão para João através de seus discípulos, mas, começou a fazer milagres e logo disse: “Ide e anunciai a João as coisas que ouvis e vedes...” (Mt 11. 4). Porém, não podemos minimizar o fogo de luta e tribulação pela qual passou o batizador, pois estava preso injustamente, e sabia que a qualquer momento poderia morrer. Tenho certeza que sua fé foi avivada com a chegada de seus discípulos, e com a resposta dada por Jesus.

Como é bom, na hora da prova, das dúvidas, das incertezas e interrogações da vida, contarmos com presença inconfundível do Espírito Santo, que Jesus disse: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14. 16). E o próprio Jesus disse: “...e eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20.b).

Ele não disse que não teríamos lutas e provas, mas prometeu estar conosco em todas as ocasiões. Ah, como isso nos conforta! Passar as lutas com Jesus é diferente. Passar pelo fogo com a presença de Deus é saber que, qualquer que for o resultado, terá sido a perfeita vontade dEle. O salmista sabia disso quando escreveu a pérola dos Salmos: “Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sal 23.4).

Confiemos em sua doce e poderosa presença.

De seu amigo

Pr Daniel Nunes

domingo, 14 de fevereiro de 2021

A PERFEITA HUMANIDADE DE JESUS

 


A ENCARNAÇÃO DO VERBO

No princípio, era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1);

E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14);

E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade; Aquele que se manifestou em carne foi justificado em Espírito; visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo e recebido acima na gloria” (1Tm 3.16);

Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus” (1Jo 4.2,3).

Logicamente, para falarmos sobre a verdadeira humanidade de Jesus, vamos estar usando como base fundamental os textos do Novo Testamento. Normam Geisler nos diz que são textos comprovadamente autênticos, e que “O registro do Novo Testamento, principalmente dos evangelhos, é um dos documentos mais confiáveis do mundo antigo”.

Antes de falarmos sobre tão profundo e relevante assunto, perguntamos: Qual o verdadeiro alvo da encarnação do verbo, ou da humanização do filho de Deus? Veremos algumas respostas dadas pelo próprio Senhor Jesus Cristo:

- Porque o filho Homem veio salvar o que se havia perdido (Mt 18.11);

- Prosseguiu Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos (Jo 9.39);

- Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade (Jo 18.37);

- Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância (Jo 10.10);

Vejamos agora o que os apóstolos disseram e o que os anjos falaram a respeito de sua missão na terra:

- Ela dará à luz um filho e lhe porás o nome de Jesus, porque ele Salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.21); Disse o anjo para José.

- Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai (Lc 1.32), isto é, que Ele veio para assumir o controle da humanidade, disse o anjo a Maria;

- E aos pastores disseram: é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor (Lc 2.11);

- E para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo (1Jo 3.8); Disse O apóstolo João.

- Disse João Batista: Ele vos batizará com Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11);

- Paulo disse que Ele veio para derrubar a parede de separação que havia entre os povos (Ef 2.14);

- Paulo ainda disse: “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo  (2Co 5.19).

- A Tito Paulo escreveu dizendo: “Porque a graça de Deu se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Ti 2.11).

- A encarnação do Verbo é a prova incontestável do grande amor de Deus pela humanidade: “Porque Deus amor o mundo de tal maneira, que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).

Na verdade, toda história de nossa redenção começa com a encarnação do Verbo. Isto representa a intervenção divina na terra. Representa a inutilização de todas as pretensões do diabo. Pois, desde o princípio já ficou dito pelo Senhor Deus, que Ele enviaria um que esmagaria a cabeça da serpente, quer dizer, os pensamentos, as intensões, as tramas, ou estratagemas do diabo, ficaram destruídas com a vinda do Messias de Deus. Disse João:  “...para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo” (1Jo 3.8b).

Sem a encarnação não haveria a morte na cruz, e consequentemente, não haveria a ressurreição.  Outra coisa que a encarnação marca, é a chegada da plenitude dos tempos, referido por Paulo em Gálatas 4.4. Os gregos deram a língua para o mundo de então, os romanos a paz e as estradas para que o evangelho percorresse com maior velocidade, e os Judeus esperavam ansiosamente a vinda do Messias. A pergunta feita pelos discípulos, quando o Senhor estava para subir aos céus, revela a ânsia dos judeus pela emancipação: “Restauraras tu neste tempo o reino a Israel? E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1. 6-8).

 

 

A ENCARNAÇÃO DO VERBO NA HISTORIA DA HUMANIDADE

Deus, o Pai, resolve o problema do homem, usando o próprio homem. Porém, não um homem qualquer, mas um homem perfeito. Disse Deus: “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirá o calcanhar” (Gn 3.15). O evangelista Moody chamou esse texto de protoevangelho.

Outro texto de singular importância quanto ao assunto, é o de Romanos 8.2: “Porquanto, o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela carne, Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne”. Todos que olhavam para Jesus, viam nele apenas um homem. Como disse Isaias: “Era desprezado e o mais indigno entre os homens, homem de dores, experimentado nos trabalhos...” (Is 53.3). A mulher samaritana disse: “...Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?” (Jo 4. 9). Pilatos, ao apresenta-lo para ser crucificado disse: “...Eis aqui o homem” (Jo 10. 5b).

O único problema do homem é definitivamente o pecado. Mesmo que o marxismo diga que é econômico; a psicologia e a filosofia diga que é a falta de conhecimento; a psicanalise afirme ser de natureza sexual; Jesus disse que o problema do homem é o pecado.

O problema do pecado, não poderia ser resolvido pelo próprio homem. E para tão complexo problema, a solução teria que vir da parte de Deus, começando de dentro para fora. No plano eterno de Deus, tudo já estava realizado, bastava agora, se cumprir o que escreveu o escritor aos Hebreus, citando o Salmo 40, “Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste”(Hb 10.5). Jesus tinha um corpo tão real, tão natural como qualquer um de nós. Como escreveu João: “O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” (1Jo 1.1); Jesus, por ocasião da celebração da ceia com seus discípulos disse: “...Isto é o meu corpo, que por vós é dado...” (Lc 22. 19).

Seria necessário o Deus eterno entrar no próprio ser humano para trata-lo. Somente a divindade suprema e cheia de amor, perfeita, poderia penetrar no seu interior para conhece-lo por dentro e por fora. Sendo assim, Jesus, sofreu tudo o que o ser humano sofre, pois vivenciou todas as situações, como fome, sede, cansaço, emoções, aspirações, frustações, dores, lutas, dificuldades e tentações, pois dEle está escrito: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas, sem pecado” (Hb 4.15).

Jesus, tornou-se plenamente humano. Nasceu como todas as criancinhas nascem. Foi amamentado com leite materno, submeteu-se as leis da natureza, crescendo como qualquer homem, passando por todas as fases: infância, adolescência e maturidade. Foi registrado nos anais da humanidade, pois ele nasceu em meio a um recenseamento e seus pais não deixariam de registra-lo, logo Ele fez questão de ser chamado de “Filho do Homem” para enfatizar a sua humanidade (Mt 20.28).

Portanto a doutrina da encarnação do Verbo é a doutrina mater do cristianismo. O diabo fez de tudo para que o nascimento de Jesus não acontecesse. Pois o seu nascimento foi o maior golpe que Satanás recebeu. Desde que ele incitou a Faraó matar os filhos dos hebreus, e a Herodes a matar as criancinhas de dois anos para baixo, demostrava o medo do nascimento daquele que iria lhe esmagar a cabeça.

Paulo, ao escrever aos Filipenses, falando sobre Jesus, nos diz: “Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achando na forma de homem, humilhou-se a sim mesmo, sendo obediente até a morte e morte de cruz” (Fil 2. 6-8).

Já no segundo século os pais da igreja combateram as heresias do “docetismo”, doutrina herética que pregava que o corpo de Jesus era apenas de aparência e não real. Docetismo vem do grego dokeo = para parecer.  O próprio Jesus, após ressuscitado disse a Tomé: “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos; chega a tua mãos e põe-na no meu lado; não sejas incrédulo mas crente” (Jo 20. 27). Aos 11 reunidos, ele disse: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo. Tocai-me e vede, pois um espírito não tem carne nem osso, como vedes que eu tenho” (Lc 24. 39).

Jesus, o Verbo de Deus encarnado. Ele de fato esteve aqui nesta terra. Ele habitou com os homens.

Um poeta cristão escreveu

Aquela Forma gloriosa, aquela Luz inefável...

Ele tudo deixou de lado para estar aqui conosco,

Abandonou a corte celestial da eternidade,

Preferiu estar aqui, numa casa escura, de barro mortal.

Amém

Pr Daniel Nunes da Silva

quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

O QUE É O BATISMO COM ESPÍRITO SANTO?

 

O BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

 

I.     O QUE SIGNIFICA “BATISMO NO ESPÍRITO SANTO”.

Há uma clareza cristalina no Novo Testamento, que a Salvação é uma coisa, e o Batismo no ou com o Espírito Santo é outra coisa. São duas bênçãos espirituais distintas uma da outra.

1.     O fenômeno do Pentecostes. O explicação mais clara, que se trata desse assunto é o de João Batista (Mt 3.11). Ele faz diferença entre o batismo para o arrependimento e o batismo com o Espírito Santo. Essa promessa reaparece nas passagens de (Mc 1.8; Lc 3.16; Jo 1.33). Antes de sua ascensão aos céus, Jesus se referiu a ela com a “Promessa de meu Pai” (Lc 24.49), dizendo que os discípulos deveriam espera-la em Jerusalém (At 1.4,5). Não há nenhuma dúvida de que a descida do Espírito Santo no dia de pentecostes é uma referencia a essa batismo (At 2.2-4). O próprio Pedro, em sua defesa, por ter ido na casa do centurião romano, diz: “E lembrei-me do dito do Senhor, quando disse: João certamente batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (At 11. 16). Então, a expressão “cheios do Espírito” em Atos 2.4, refere-se ao batismo no Espírito Santo.

2.     Duas bênçãos distintas. Aquele que nasceu de novo tem o Espírito Santo (Jo 3. 5-8). Isso nós os pentecostais ensinamos. O Espírito Santo habita em todo crente, seja ele pentecostal ou não (1Co 3.16;6.19). Tenho ensinado durante vários cultos de doutrina sobre essa habitação do Espírito Santo na vida do crente. Quem não tem o Espírito Santo é o homem não regenerado, não nascido de novo (Rm 8.9). Esses que não tem o Espírito Santo, não pertencem a Cristo. Não podemos, porém, achar que a experiência da salvação, e a do batismo no Espírito Santo sejam a mesma coisa, porque definitivamente não são. Os não pentecostais, ou os cessacionistas, vão dizer que sim. Porém, essa afirmativa não resiste a exegese dos textos sagrados. Vejamos: Os discípulos já eram salvos mesmos antes de receberem o batismo no Espírito Santo (Lc 10.20; Jo 20.22); Já conheciam a Cristo (Jo 14. 7); Já não eram mais deste mundo (Jo 17. 16). Já estavam santificados na verdade (Jo 17.17). Aliás, todos os que estavam no cenáculo no dia da descida do Espírito Santo eram crentes em Jesus Cristo (At 1.12-14). Tudo isso confirma a nossa doutrina pentecostal de que a benção de ser batizado no Espírito Santo é distinta da conversão. (At 8, 12-17; 9.17; 19. 2-6).

3.     O conceito teológico. São dois pontos fundamentais sobre o conceito do pentecostalismo clássico de batismo no Espírito Santo: a) Trata-se de uma experiência espiritual do crente com o Espírito de Deus, separada da conversão, na qual ele “entra em uma nova fase em relação ao Espírito”; b) tem o falar em línguas, glossolalia, como evidencia  física inicial do batismo. Essa é nossa doutrina da Assembleia de Deus conforme nossa confissão de fé, e a mesma tem fundamentos sólidos no Novo Testamento (Lc 24.49; At 9.17; 10. 44-48). Outro sim: cremos no que está escrito em Atos 2. 38,39, que a promessa, que se cumpriu no dia de pentecostes, se expandiu na era da igreja primitiva e permanece até os dias atuais. Por mais que procurem com a lupa da incredulidade nas páginas do Novo Testamento, não encontrarão o final dessa promessa.

II.       O PROPÓSITO DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO

De posse do conhecimento, de que o batismo no Espírito Santo é uma experiência distinta da conversão, e que esse batismo é a plenitude do Espírito Santo na vida de quem tem Jesus no coração, precisamos agora entender, qual o verdadeiro propósito dessa plenitude, desse enchimento  e desse batismo espiritual.

1.     Finalidade. Atos 1.8, deixa bem claro o propósito ou a finalidade do derramamento do Espírito Santo. Quando de fato o Espírito desce, enchendo os que estavam no cenáculo, e o povo assustado começa a indagar o que era de fato aquilo, Pedro responde, citando a profecia de Joel 2. 28,29; At 2. 16-18. Pode-se então elencar as seguintes finalidades: a) Poder para uma vida de serviço eficaz, onde aqueles que recebem, se tornam testemunhas verazes de Jesus (At 1.8); b) Pureza e santificação, simbolizada pelas línguas de fogo (Mt 3.11; At 15. 8,9 Is 4.4; 6.6,7); c) O revestimento pleno do poder de Deus, “Todos foram cheios do Espírito Santo”; d) Glorificação do nome de Jesus e proclamação de suas grandezas (Jo 16.14; At 2.11; 10.46).

2.     A capacitação do Espírito. “Batismo” significa imersão, mergulho. As expressões “derramar” o Espírito sobre os irmãos e as irmãs ou “serem cheios” do Espírito para se referir ao batismo no Espírito Santo, podem lançar luz sobre o propósito dessa promessa, pois, ser imerso significa capacitação. Ou seja, revelação dos mistérios de Deus (Ef 3.5); poder para testemunhar (At 1.8); profetizar (At 11. 28) e realizar milagres (Rm 15.19).

3.     Uma necessidade real e atual. Houveram três manifestações sobrenaturais na descida do Espírito Santo: a) Um som como de um vento veemente e impetuoso; b) línguas repartidas como que de fogo; c) as línguas faladas pelos discípulos, conforme o Espírito Santo concedia a cada um que falasse. Os dois primeiros sinais não se repetiram e não se repetem mais. Foram apenas sinais, anunciando a chegada do glorioso Espírito Santo de Deus. Se para a chegada do Filho, um coral de anjos veio cantar, para a chegada do Espírito, vieram o som do vento e as línguas como que de fogo. Porém, as línguas estranhas sim, essas se repetiram, e se repetem até os dias atuais (At 2. 38,39).

Como receber o batismo com o Espírito Santo? Devemos ter cuidado com aqueles que estão ensinando a falar línguas. Há igrejas que tem cursos para isto. Uma verdadeira aberração. João deixou claro, que Jesus seria o batizador com o Espírito Santo (Jo 1.33). E, quanto ao falar em línguas, quem ensina, concede, habilita, capacita,  é o próprio Espírito Santo (At 2.4). Não existe nenhuma fórmula mágica, ou regra para se receber o batismo com Espírito Santo. Jesus manda que devemos buscar com perseverança (Lc 11. 9-13).

III. O RECEBIMENTO E A EVIDÊNCIA DO BATISMO NO ESPÍRITO SANTO.

1.     As outras línguas. As “outras línguas”, a glossolalia, são ininteligíveis, e evidência externa, física e inicial do batismo no Espírito Santo (vv. 3,4). A Declaração de fé das Assembleias de Deus acrescenta o seguinte: “Mas somente a evidencia inicial, pois há evidência contínua da presença especial do Espírito Santo como o “fruto do Espírito” (Gal 5.22) e a manifestação dos dons (1Co 14.1)”.

Charles Fox Pahram e Willian J. Seymor foram pioneiros nos debates sobre essa evidência do falar em línguas no pentecostalismo moderno. Seymor liderou o movimento na famosa rua Azusa em Los Angeles. O movimento se espalhou pelos Estados Unidos, diversas regiões da Europa, como Alemanha, Inglaterra e Suíça. Mas, foi  na primeira conferencia Mundial Pentecostal, organizada em Zurique, Suíça, em 1947, que a doutrina da evidência das línguas foi de fato afirmada.

Vamos às Escrituras. O fenômeno “falar em outras línguas”, aparece explicitamente três vezes associado diretamente a ação do batismo no Espírito Santo (At 2.4; 10.44-48; 19.1-7). As línguas de Atos 2. 1-13, são ininteligíveis.  Lucas emprega dois termos para “línguas” na narrativa do dia de pentecostes: glõssa (vv 3,4,11) e dialektos (vv 6. 8). Glõssa significa “língua”, como fala, linguagem, “idioma” e também membro ou órgão físico da boca (Tg 3.5), que aparece metaforicamente no relato de Lucas. “E apareceram entre eles, línguas, como de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles” (v.3). Ao serem cheios do Espirito Santo, os discípulos e as discípulas de Jesus “começaram a falar em outras línguas” (v 4). Em uma exegese exata, clara, entende-se que Lucas está falando aqui de línguas ininteligível. A palavra “outras” em grego  heteros, assim: lalein heteros glõssais, = “falar em outras línguas”. Segundo o dicionário Vine, o adjetivo heteros “expressa uma diferença qualitativa e denota ‘outro’ de tipo diferente” Lucas está falando de uma língua que só pode ser compreendida por um milagre.Todos os temos ouvido falar em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus” (v.11). Paulo usa a mesma expressão em 1Corintios 14.5). Quer dizer, tanto Lucas quanto Paulo estão falando de línguas ininteligíveis, a não ser que Deus mesmo, através do seu Espírito, dê a interpretação (1Co 12.10, 14.13). Dialektos  é a linguagem de um país, “idioma”, “dialeto”. Essa palavra aparece aqui, no dia de Pentecostes (v 8) e mais quatro vezes no Novo Testamento (At 1. 19; 21.40; 22.2; 26.14).

2.     A função das línguas.  Além de sinalizar que o crente está batizado no Espírito Santo, está associada: a) a oração de edificação pessoal (1Co 14.2,4); b) o recebimento do poder profético (At 2.4,17; c) Falamos em mistério com Deus em oração (1Co 14.14,16,17). Portanto, línguas estranhas, não é para que o crente fique mostrando ser muito espiritual; nem que para ser usada no momento que se esquece de algo que queria falar; etc. Devemos também ter muito cuidado com as piadinhas com línguas estranhas.

3.     Atualidade das línguas. Esse assunto, já foi debatido em pontos anteriores, mas, vamos ressaltar, que a promessa continua vigente. Pois em Atos 2.39, Pedro disse: “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos e a todos os que estão longe: a tantos quantos Deus, nosso Senhor, chamar”. E Paulo nos adverte dizendo: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não proibais falar línguas” (1Co 14. 39).

Amém.

domingo, 10 de janeiro de 2021

O VERDADEIRO AVIVAMENTO BÍBLICO


Ouvi, Senhor, a tua Palavra e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra  no meio dos anos, no meio dos anos a notifica. Na ira lembra-te da misericórdia” (Hc 3.2).

 

A igreja do Senhor, precisa passar por constante avivamento. Avivamento é renovo. avivamento é a manifestação da presença de Deus no coração de seu povo, trazendo consigo o temor de Deus, que nos faz reconhecer Sua santidade e o quanto precisamos nos consertar com Ele, desfazendo-se de nossos pecados.

Todo avivamento começa com a manifestação do Espírito Santo em uma vida, em uma comunidade, em uma nação, ou até mesmo em um continente, porém, os resultados desse avivamento, não são apenas barulho, movimentos, discursos inflamados. Ele de fato ocorre, quando começamos ver a mudança nas pessoas.

1.      A primeiro fenômeno que acontece em um verdadeiro avivamento, é o temor, ou, mais temor a Deus. “ Ouvi, Senhor, a tua Palavra e temi...”. Para muitos hoje em dia a Palavra de Deus não tem nenhum valor. Ouvem-na, porém, não a temem. Tanto faz ouvir a Palavra de Deus, como ouvir qualquer coisa. Em um avivamento legitimo, quando se ouve a Palavra de Deus, o temor inunda os corações. Lembra do episodio ocorrido no livro de Neemias? Vamos ler: “E Esdras abriu o livro perante os olhos de todo o povo; porque estava acima de todo povo; e, abrindo-o ele, todo povo se pôs em pé. E leram o livro, na Lei de Deus, e declararam e explicando o sentido, fazia que, lendo, se entendesse. E Neemias (que era o tirsata), e o sacerdote Esdras, o escriba, e os levitas que ensinavam ao povo disseram a todo o povo: Este dia é consagrado ao Senhor, vosso Deus, pelo que não vos lamenteis, nem choreis. Porque todo o povo chorava ouvindo as palavras da Lei” (Ne 8. 5,8,9). Vejam só: O povo chorava ao ouvir a Palavra de Deus. O que chamam hoje em dia de avivamento, não passa de barulho oco sem sentido algum. São apenas manifestações momentâneas emocionais, e massagem para o ego de pregadores e cantores, que não glorificam a Deus, mas a sim mesmos. Por isso pedem tantos aplausos ao público. Que o Temor do Senhor inunde os nossos corações nesses últimos dias da igreja na terra.

2.      Em um verdadeiro avivamento, o segundo fenômeno que ocorre nas vidas dos avivados é o arrependimento. “... na ira lembra-te da misericórdia”. O profeta sabia que Deus estava irado com aquela nação pecaminosa. Sabia que Deus estava agindo com justiça, ao punir a nação de Israel por causa de seus muitos pecados contra o Deus Eterno e Santo. Sabia que mereciam tudo aquilo. Porém, ele pede por misericórdia.

No grande avivamento ocorrido na inauguração da Igreja do Senhor, no dia de pentecostes, no primeiro sermão, o apóstolo Pedro fala ao povo dizendo: “... Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome do Senhor Jesus Cristo para perdão dos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2. 38). Arrependimento é dar meia volta. E voltar-se ao sentido contrario ao que estávamos indo. É deixar o pecado ou os pecados, é voltar-se para Cristo e buscar a santidade, fazendo assim a vontade do Senhor (1Ts 4.3). Se isso não está ocorrendo em nossas vidas, não importa o quanto de línguas estranhas falamos. Não importa o quanto pregamos ou cantamos. Não importa nem a quantidade de obras sociais, o dinheiro que empregamos na igreja, o quanto lotamos os estádios de pessoas enlouquecidas, gritando porque um famoso cantor ou pregador gospel está no palco, tudo isso pode parecer avivamento, mas não é. São coisas que se fazem sem a presença do Espírito Santo. Porém, temor a Deus e arrependimento, somente o poder do Espírito Santo pode provocar nos corações dos homens.

3.      O terceiro fenômeno que ocorre na vida do homem avivado é o ódio ao pecado. “Refreei os meus pés de todo caminho mau, para que eu pudesse guardar a tua palavra”. (Sal. 119:101 KJF) De nada adianta dizer que está arrependido e prosseguir no pecado. Assim aconteceu com o rei Saul. Quantas vezes pediu perdão a Davi, e no outro dia estava querendo mata-lo. Isso não é arrependimento. Com Judas Escariotes ocorreu algo semelhante. Parecia que estava arrependido por ter entregue Jesus aos sinédrio, mas aquilo não passou de remorso, medo, e por isso mesmo, ao invés de ir aos pés de Cristo, pedir perdão e seguir sua vida, ele pegou um corda e foi enforcar-se. Triste fim para uma pessoa não arrependida de seus pecados.

A Palavra de Deus nos assegura dizendo: “O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia” (Pv 28.13). Sim, o verdadeiro avivamento nos levará sem dúvida a esse caminho: temor a Deus, arrependimento, confissão de pecados, ódio ao pecado e abandono do pecado. Gloria a Deus! Se não acontecer esse caminho, pode ser tudo, menos avivamento. Isso tem uma razão muito óbvia, pois a presença do Senhor se torna real em sua vida. Disse Habacuque: “Deus veio de Temã, e o Santo, do monte de Parã; (Sela) A sua gloria cobriu os céus, e a terra encheu-se do seu louvor”(Hc 3.3).

4.      Outro fenômeno que ocorre na vida do crente verdadeiramente avivado pelo Espírito Santo de Deus, é um desejo profundo de ganhar almas. Tu saíste para salvamento do seu povo...” (Hc 3. 13). A primeira coisa que Pedro fez ao ser cheio do Espírito Santo, foi pregar para a salvação das almas. A partir daquele momento, a igreja avivada, batizada com Espírito Santo, cheia dos dons espirituais, quer nas praças, nos caminhos, na pequenas e nas grande cidades, mesmo em meio as grandes crises e perseguições, não cessava de anunciar a Palavra de Deus, mostrando a todos que Jesus era de fato o Cristo de Deus.

Crente verdadeiramente avivado não fica parado. Ele prega, ora, canta, distribui literatura, fala de Jesus ao amigo, ao irmão, ao vizinho. Ele ajuda missões,  vai para o campo missionário, ora para Jesus salvar almas. Prega a palavra a tempo e fora de tempo.

Finalmente, o avivamento é um poder tão grande que cai sobre a vida do homem e da mulher, que o impulsiona de tal forma, que ele já não se acostuma em viver como este mundo, mas, passa a ser um arma preparada, afiada, afinada, nas mãos do Senhor. O diabo já não tem domínio sobre ele, pois, a partir do momento que foi cheio do Espírito Santo, já não tem lugar para as obras carnais, e o pecado não terá domino sobre sua vida.

Busquemos, de todo nosso ser, espírito, alma e corpo esse avivamento. Não nos contentemos com barulhos ocos. Com cultos que tenho muito barulho e pouco temor. Muito ruído e pouco arrependimento. Pregações cheias do eu, rebuscadas no idioma, mas vazia de conteúdo da Palavra de Deus. Cantores que estão cantados seus hinos antropocêntricos, que apenas satisfaz o homem, mas, causa náuseas no Deus Santo.

Oremos como Habacuque, dizendo: Senhor Deus, derrama sobre nós um poderoso avivamento em nossos dias. Tira nos de nosso comodismo. Abrasa nosso ser pelo poder do Teu Espírito Santo. Aparelha o teu bisturi, e arranca através da cirurgia da cruz, o homem mau, o velho Adão que está em nós. Opera, do interior para o exterior. Do espírito ao corpo. Que tudo em nós, seja, única e exclusivamente para louvor da tua exuberante gloria.

Essa é minha oração

Pr Daniel Nunes da Silva


sábado, 26 de dezembro de 2020

CRISTO PENSA EM MIM

 

CRISTO PENSA EM MIM

Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não” (Jo 21. 5)

 

Perguntaram a um cristão tão abstraído, que as vezes não tinha noção do que passava ao seu redor. Era um homem quieto, pacífico e de uma paz imperturbável. Então lhe disseram:

Como é que você vive em tão perfeita paz, e se mostra imperturbável diante das situações adversas da vida? Quais são as suas reflexões e pensamentos que te faz tão feliz?

Respondeu o servo de Deus: Quando tenho momentos de quietude, penso no Senhor Jesus; e quando não posso pensar nEle porque tenho que atender assuntos diversos, sei que Ele pensa em mim. Por isso é que sempre estou tranquilo e em paz em qualquer circunstância.

Não foi assim que aconteceu com os discípulos? Eles, certamente não estavam pensando em Jesus. Voltaram às suas atividades de pesca, e seus desejos e pensamentos eram outros. Mas, enquanto eles estavam na luta inglória de mais uma noite sem pescar nada, Jesus apareceu na praia, e, a sua preocupação era: “Filhos, tendes alguma coisa de comer?”.

Não importa o quão distraído estejas com as coisas de Deus. Quem sabe, as lutas do dia a dia, têm feito você se afastar da riqueza mais preciosa, do tesouro do céu. Mas, nesse momento, que estás lendo esta mensagem, Jesus manda te dizer que Ele pensa em você. E assim, como resolveu o problema dos discípulos, mandando-os lançar a rede do lado direito do barco, ele também diz para ti e para mim, que a nossa vitória está em obedecermos as suas ordens, a sua poderosa Palavra.

Oh! como é bom saber que Jesus nunca deixa de pensar em mim.

Pr Daniel Nunes

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

ESTUDO SOBRE MATEUS 22. 15-46


Leitura correlata: Marcos 12.13-37

Os inimigos de Jesus, sempre estavam a espreita como surpreende-lo em alguma falta. O Salmo 22, nos fala a respeito do Messias. O verso 12 nos diz: “Muitos touros me cercaram; fortes touros de Basã me rodearam”. E o verso 16 diz: “Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou...”. Ainda no verso 21: “Salva-me da boca do leão...”.  Mateus narra que “Enviaram-lhe seus discípulos”. Quer dizer: Os fariseus enviaram seus alunos para tentar surpreender a Jesus em alguma palavra. Mas Jesus, não foi surpreendido por eles. Ele tinha a resposta a todas as perguntas.

Jesus em seu ministério combateu pelo menos três grupos de pessoas:

1.    Os fariseus (Mc 8.15). O fermento dos fariseus consistia na observação das tradições dos homens e religião exterior. O fermento da hipocrisia (Lc 12.1). Esse é um grande perigo hoje em dia (Rm 12.9; 1Tm 1.5; 2Tm 3.5).

2.    Os saduceus (Mt 16.6). Os saduceus era o grupo religioso que não acreditava no sobrenatural (At 23.8). Portanto, o “fermento” dos saduceus era a incredulidade, o ceticismo, a doutrina de duvidar de tudo que seja espiritual. (Lc 18.8; Jo 20.25). Em meio a um mundo incrédulo, devemos guardar nossa fé (2Tm 4.7; Jd 1.3; Ap 2.13).

3.    O partido de Herodes (Mt 22.16). Herodes parece ser saduceu. O seu partido consistia dos judeus mundanos, cujo alvo era agradar aos romanos. O “Fermento” de Herodes, portanto, era o mundanismo e o conformismo (Tg 4.4,8; 1Jo 2.15-17). Para combater a tal prática, nos escreve Paulo em Romanos 12.1,2. A igreja vive na contra mão do  mundo (Jo 17.14-17).

Veremos então as três perguntas feitas por esses grupos ao Senhor Jesus.

1.    Uma pergunta sobre o tributo. (Mt 22.15-22).

Quem fez essa pergunta foi os herodianos. Mundanos, sempre pensando em dinheiro. Esse grupo tinha ambições políticas. O NT não dá muitas informações sobre eles. Parece que estavam, juntamente com Herodes cooperando com Roma. Ele se opunham aos fariseus, que detestavam ao governo romano, porém, se uniram para se oporem a Cristo.

A pergunta sobre o tributo era muito delicada. Se Cristo se opusera ao tributo de Roma, podia ser preso como traidor do império. Se fosse favorável a César, podia perder os corações dos judeus que detestavam aos governos romanos. A resposta de Jesus, nos ensina como deve comportar um verdadeiro filho de Deus, que deve ter obrigações com Deus, porém também com a sua pátria. Como D.L. Moody acostumava dizer: “Um cristão não deve ser tão celestial em seu pensamento, que não seja bom para nada na terra”. Romanos 13 e 1Pedro 2.13-18 nos ensina que os cristãos deve obedecer a lei e honrar a seus líderes. O cristão deve ser um melhor cidadão.

Da mesma maneira que o imperador César estampava sua imagem na moeda, assim Deus estampou sua imagem no homem (Gn 1.26-27). O pecado desfigurou essa imagem, porém, através de Cristo, ela é restaurada (Ef 4.24; Col 3.10). A parábola da moeda perdida em Lucas 15. 8-10, sugere que o homem, feito a imagem de Deus, está perdido e nessa condições jamais poderá refletir a imagem de Deus (1Co 3.18).

2.     Uma pergunta acerca da ressurreição (Mt 22. 23-33).

Agora que entra em cena são os saduceus, e fazem uma pergunta doutrinal. Apresentam uma pergunta hipotética acerca do matrimonio e a vida futura, baseada na lei do Antigo Testamento, de que um homem devia se casar com a viúva de seu irmão para perpetuar a família (Gn 38.8; Dt 25.5-10). Jesus disse que eles ignoravam duas coisas: 1)Errais não conhecendo as escrituras. Não conhecer as escrituras é andar em trevas (Sal 119.105). 2) E nem o poder de Deus. Eles não aceitavam nada do sobrenatural de Deus (At 23.8). Hoje temos um grupo de cristãos que não crê no poder de Deus (Lc 24.49).

Jesus explicou que o casamento humano, como nós conhecemos, não existirá nos céus, na vida futura, senão, que seremos como os anjos, isto é, vivendo em um mundo espiritual não controlado por leis humanas. (Isso não significa que seremos anjos, mas, que seremos como eles, no que tange ao matrimonio. O santos sempre reinarão como filhos de Deus e não como servos o anjos (Jo 17.24).

Jesus usou a Palavra para responder aos seus críticos, dizendo: “E, acerca da ressurreição dos mortos não tendes lido o que Deus vos declarou, dizendo: Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó? Ora, Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”. (Mt 22. 31,32). Vejamos os textos no AT (Ex 3.6,15,16). Não diz: “Eu fui o Deus”, mas “Eu Sou o Deus”. Isto quer dizer que estes homens ainda vivem com Deus. A morte não destrói a pessoa, ainda quando o corpo se torne em pó. Assim Jesus está nos ensinando que a alma existe mesmo depois da morte, e os que tem fé vão estar com o Senhor (Fil 1. 23; 2Co 5.1). Porém, Deus salva a pessoa completa, incluindo o corpo, que será glorificado (Fil 3.20,21). O poder de Deus é suficiente para levantar aos mortos do pó da terra (Ef 1.19,20).

3.    Uma pergunta acerca do grande mandamento (Mt 22. 34-40).

Agora vem os fariseus, fazendo uma pergunta legal acerca da lei do A.T. Podemos ver a expressão: “fizera emudecer...” no versículo 34, literalmente significa “amordaçar”, “tapar a boca”. Isso mostra de que maneira Jesus silenciou a seus inimigos.

              Os expertos da lei, debatiam sobre qual dos muitos mandamentos era o maior. Eles dividiam os mandamentos  e, “pesados e leves” e separavam as “Leis cerimoniais, das leis morais”. Chegou ao ponto de que um pequeno detalhe do ritual da lei, era tão importante e obrigatório como as grandes leis morais de Deus. Os fariseus pensavam que podia fazer Jesus cair em contradição nesse quesito, forçando-o a tomar partido nessa questão teológica controversa entre eles próprios.

Jesus, mais uma vez, apela para as Escrituras. Ele já tinha usado a Palavra contra os ataques do diabo (Mt 4. 4,7,10). Por isso mesmo Paulo nos diz que a Palavra de Deus, é uma espada (EF 6.17), e o escritor aos Hebreus, nos diz que é uma espada de dois gumes (Hb 4.12). Jesus cita Deuteronômio 6.5 e Levítico 19.18). Amar a Deus e amar ao próximo: Estes dois mandamentos resumem a lei completa (Rm 13.8-10). Em lugar de debater, deveríamos obedecer e amar a Deus e ao nosso próximo. Esse é o verdadeiro coração da religião cristã. Ninguém pode amar a Deus sem conhecer a Jesus Cristo como Salvador (Jo 8.42). E quando conhecemos a Deus e amamos a Deus, também amaremos aos nossos irmãos (Rm 5.5; 1Jo 4.20).

4.    A pergunta de Jesus aos seus inimigos (Mt 22. 41-46).

Após calar aos saduceus, fariseus, herodianos, agora Jesus mesmo faz a pergunta: “Que pensais vós do Cristo? De quem é filho?”. Jesus estava se referindo aos Salmo 110, onde diz: “Disse o Senhor ao meu Senhor:”. Davi escreveu esse salmo inspirado pelo Espírito Santo (v. 43). Esse é um Salmo messiânico. A pergunta é a seguinte: Se Davi o chama de Senhor, como pode então ser seu filho? A resposta  esta pergunta está em Mateus 1,2. Como Deus eterno Ele é Senhor de Davi, porém, como Deus homem, que veio em carne (Jo 1,1), ele é Filho de Davi.

Os fariseus jamais responderiam essa pergunta, pois teriam que reconhecer Jesus como Messias, assim como fez o cego de Jericó (Lc 18.38).

Deus nos abençoe. Amém.


terça-feira, 17 de novembro de 2020

O QUE FAZER EM TEMPO DE CRISE?

ISAIAS 45.22; SALMO 11.3; PV 18.10

 O QUE É DE FATO UMA CRISE?

 Segundo os mais variados dicionários da língua portuguesa, crise é:

1.     Alteração no desenvolvimento normal de algo: Alteração, desequilíbrio, instabilidade, vacilação, incerteza, queda, colapso, declínio, decadência, decrescimento, recessão, estagnação, paralização.

2.     Situação de tensão: Conflito, tensão, perturbação, transtorno, atrapalhação, confusão, comoção, conflagração, disputa, contenda.

3.     Desequilíbrio emocional ou nervoso súbito: Ataque, acesso, acometimento, insulto.

4.     Falta ou escassez de algo. Falta, escassez, carência, ausência, deficiência, exiguidade, míngua, inópia.

5.     Situação difícil. Dificuldade, adversidade, aperto, apuro, perigo, problema, emergência, vicissitude, agrura, embaraço, prova, provação.

 VIVEMOS HOJE GRANDES CRISES

a.     Crise moral (Rm 1.24-32);

b.  Crise ética (Is 5.20). A ética nos diz o que é certo ou errado. Porém, com a chegada da pós-modernidade, e segundo os seus defensores, já não existe o certo ou errado, nem há verdade absoluta; tudo é relativo. No entanto, a Palavra de Deus continua firme e verdadeira. Ela permanece sendo um farol que brilha em meio a escuridão das trevas do pecado do relativismo e da inconsistência da pós-modernidade.

c.     Crise social (Sal 11.3; Is 10.1,2; Hc 1. 4);

d.     Crise de verdade (Jr 9. 3);

e.     Crise Confiança (Jr 9.4);

f.       Crise de Amor (Mt 24.12);

g.     Crise de Fé (Lc 18.8);

h.     Crise de perdão (Ef 4.32);

i.       Crise de comunhão (Fil 2.1);

j.       Crise de oração (Ef 6.18);

k.      Crise de firmeza (Ef 6.13; Hb 12.12,13);

l.       Crise de companheirismo (Sal 119.63; Rm 16.7; Ap 1.9).

m.   Crise espiritual:

a.          Houve crise espiritual após a morte de Josué e dos anciãos de Israel (Jz 2. 7-12; At 20. 29,30; 2Tm 3.5; 1Tm 4. 2; Jd 12);

b.     Também havia crise espiritual pela falta de visões de Deus aos sacerdotes (1Sm 3.1). “... Não havia visão manifesta”. (Ler Salmo 74.9; Ap 3.17,18).

n.     Crise teológica (Col 2.8; 1Tm 4.1; 2TM 4.3,4);

 

I.           O QUE FAZER EM MEIO A CRISE?

a.     Devemos buscar a Deus em oração e vigilância (2Cr 7.14; Ne 4. 7-9; Fl 6.4 );

b.     Olhar firmemente para Jesus (Is 45.22; He 12.2);

c.      Não nos conformarmos com esse mundo (Rm 12.2);

d.     Correr para os braços do Senhor (Pv 18.10;1Pe 5.7);

e.     Procurar ouvir a voz de Deus (1Sm 3. 9-11,19,20).

Pr Daniel Nunes