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sexta-feira, 15 de abril de 2022

A ROCHA ERA CRISTO

 


E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo”.

Paulo está se referindo ao episódio acontecido em Horebe, quando os filhos de Israel saíram do Egito, rumo à terra prometida. Encontramos a narrativa bíblica em êxodo 17. 5,6, onde diz: “Então, disse o Senhor a Moisés: Passa diante do povo e toma contigo alguns dos anciãos de Israel; e toma na tua mão a tua vara, com que feriste o rio, e vai. Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha, em Horebe, e tu ferirás a rocha, e dele sairão águas, e o povo beberá. E Moisés assim fez, diante dos olhos dos anciãos de Israel”. E ainda em Números 20.11, onde diz: “Então Moisés levantou a sua mão e feriu a rocha duas vezes com a sua vara, e saíram muitas águas; e bebeu a congregação e os seus animais”.

A rocha de Horebe era um tipo de Cristo, e Paulo, a chama de: “... pedra espiritual”. Daquela rocha espiritual podemos aprender algumas profundas lições:

1.    Aquela rocha estava em um lugar seco e estéril. Horebe significa seco ou vazio. Ela estava no deserto de Elim, um lugar estéril, e por si mesmo uma ajuda aparentemente inútil. Cristo estava no mundo, porém o mundo não lhe conheceu. “Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; No tinha parecer nem formosura; e, olhando nós para ele, nenhuma beleza víamos para que o desejássemos” (Is 53.2). “E deu à luz a seu filho primogênito, e envolveu-o em panos, e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem” (Lc 2.7). “Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam” (Jo 1.10,11). “Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?” (Jo 1. 46).

2.    Aquela rocha era nativa do deserto. Ela era uma entre tantas outras, sim, não havia nenhuma diferença aparentemente destacada nela. Seria como olhar e querer diferenciar as pedras no cariri e sertão nordestino. Jesus era tão parecido aos seus irmãos judeus, que quando estava entre a multidão, ninguém distinguia ele dos demais – “... Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana?”; “Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom (dádiva, presente) de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pediria, e ele te daria água viva” (Jo 4. 9,10). “Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;” (Fl 2. 7). “... Deus, enviando seu Filho, em semelhança da carne do pecado...” (Rm 8.3). O escritor aos Hebreus, fazendo referencia ao Senhor Jesus, citou o Salmo 8.5, e disse: “Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, de glória e de honra o coroaste...” (He 2.7).

3.    Aquela rocha foi escolhida por Deus. Não foi Moisés que escolheu a rocha, mas sim Deus. O Senhor indicou para Moisés qual seria a rocha, qual seria a pedra que ele deveria tocar. A rocha que deveria ser ferida, golpeada foi designada e indicada por Deus. Jesus é o escolhido de Deus. “E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu, E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo, escutai-o” (Mt 17.5).

4.    Aquela rocha esta possuída por Deus. Eis que eu estarei ali diante de ti sobre a rocha...” (Ex 17.6a). Aqui estava o segredo de suas riquezas. Ai onde consiste a diferença das demais rochas: Porque Deus estava sobre naquela rocha, Deus estava sobre ela. Moisés, em seu último cântico disse: “Porque a sua rocha não é como a nossa Rocha, sendo até os nossos inimigos juízes disso” (Dt 32.31). Nisto consistia a sua capacidade de suprir as necessidades dos sedentos israelitas. “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo...” (2Co 5.19); “Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim quem de mim se alimenta também viverá por mim” (Jo 6.57). “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração” (Lc 4.18).

5.    Aquela rocha estava cheia das bênçãos invisíveis. Um dos lugares mais improváveis. Alguém poderia até perguntar: “Poderá sair alguma coisa boa daquela rocha seca no deserto de Elim?”. Porém, pela infinita misericórdia e plenitude de Deus havia nela profundidades insondáveis de bênçãos. Natanael perguntou se referindo ao Cristo: “... pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem e vê” (Jo 1.46). E como há! Disse Paulo: “Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor e enriquecidos da plenitude da inteligência para conhecimento do mistério de Deus – Cristo, em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Col 2.2,3). Dele escreveu Joao: “E o verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua gloria, como a gloria do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14), e disse mais: “E todos nós recebemos também da sua plenitude, com graça sobre graça” (Jo 1.16). Ele mesmo disse: “Quem me vê a mim, vê o pai” (Jo 14.9). Chamou a todos dizendo: “... Se alguém tem sede, que venha a mim e beba” (Jo 7.37).

6.    Aquela rocha foi ferida. “... e tu ferirás a rocha...” (Ex 17. 6). Isto nos faz recordar palavras similares quão respeito ao Senhor Jesus: “... Fere o Pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas...” (Zc 13.7). A rocha foi ferida com uma vara. A vara do juízo de Deus caiu sobre Cristo. Não foi ferido por causa dele mesmo, mas por nossa salvação. Ele sofreu por nós, o justo pelos injustos. Veja o que o profeta Isaias escreveu sobre Ele (Is 53. 2-5).

7.    Aquela rocha deu o seu tesouro depois que foi ferida. ... e tu ferirás a rocha, e dela sairão águas...”. Até mesmo aquele que a feriu, podia beber de sua misericórdia. Aquele golpe dado em Jesus com a lança abriu a fonte para limpar pecado e a imundícia. Até mesmo aqueles que o feriram podiam beber da corrente de salvação. Jesus clamou na cruz dizendo: “... Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem (Lc 23.34). E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor e disseram: Verdadeiramente, este era o Filho de Deus” (Mt 27. 54).

8.    A rocha que os seguia. E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo” (1Co 10. 4). Certamente que não mais terão sede, aqueles que têm a fonte que os acompanham dia a dia em suas peregrinações pelo deserto da vida. “Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna” (Jo 4.14). A presença de Jesus conosco, é como um manancial brotando no coração. Jesus disse: “Eis que estou convosco todos os dias” (Mt 28.20). Essa Rocha espiritual continua nos seguindo. Bebei dela todos!

 

 

quarta-feira, 6 de abril de 2022

UM ALERTA AOS CRENTES

 


Ninguém engane a si mesmo, como crente, pois é possível:

·             Contribuir como Ananias e Safira (At 5.2);

·             Desejar morrer como um justo, como Balaão (Nm 23.10);

·             Sacrificar a Deus como Caim (Gn 4.3);

·             Ser obreiro, como Demas (2Tm 4.10);

·             Chorar como fez Esaú (Gn 27.3);

·             Tremer sob convicções divina, como Félix (At 24.25);

·             Ser serviçal como Geazi (2Rs 5.20);

·             Ser zeloso pelas coisas de Deus, como Israel (Rm 10.2);

·             Ser um discípulo de Cristo, como Judas (At 1.25);

·             Prestar culto a Deus, como fez Coré (Nm 16);

·             Sair de Sodoma, como a esposa de Ló (Gn 19.26);

·             Fazer longas e bonitas orações, como os fariseus (Mt 23.14);

·             Profetizar, como Saul (1Sm 10.10);

·             Ter muitos seguidores, como Teudas (At 5.36);

·             Ter lâmpadas festivas e acesas, como as virgens loucas (Mt 25. 1-13);

·             Permanecer bem perto do reino de Deus, como o jovem rico (Mt 19.16-22);

·             Expulsar demônios e fazer milagres (Mt 7. 22,23);

·             E ainda assim estar perdido!

·             Reflitamos.

terça-feira, 1 de março de 2022

A VERDADE QUE LIBERTA

 

 

João 8.32

 

Qual é a verdade desse versículo?

1.    Essa verdade é doutrina do Evangelho que Cristo nos trouxe (Jo 3.15-18; Rm 1.16).

a.     Evangelho esse que Jesus disse aos seus discípulos: “Ide por todo o mundo, pregai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16.15).

b.    Evangelho esse que Paulo nos fala, que mesmo que um anjo desça do céu, e anuncie outro evangelho seja anátema (Gal 1. 8), querendo ele dizer, a verdade somente existe no Evangelho de Jesus Cristo.

c.     Conhece essa doutrina, permite que ela te transforme, e ficarás livre do pecado, das forças de satanás, e de todas as limitações da mortalidade humana (Rm 12.1,2; Jo 5.24).

 

2.    Essa verdade que liberta, é a mesma que santifica (hagiasmos) (Jo 17.17).

3.    O verbo veio trazendo a graça e a verdade (Jo 1.14,16,17), e graça veio trazendo salvação (Tt 2.11).

4.    Em João 14.6, Jesus nos ensina que ele é a própria personificação da verdade divina. “e vimos nEle a gloria do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade (Jo 1.14); (1Jo 1.1).

a.     Nele os homens vivem e se libertam do pecado e das limitações mortais. Zaqueu foi livre da avareza; Maria Madalena de sete demônios, etc.

b.    Nele os homens passam de um estado de gloria para outro estado de maior gloria (2Co 3.18).

c.     Nele os homens chegam a participar da própria natureza divina (2Pe 1.4).

 

5.    Do que essa verdade liberta?

a.     O homem é uma criatura decaída. As escrituras nos afirmam isto (Rm 3.23), e as experiências nos confirmam.

b.    ... o que comete pecado é escravo do pecado” (Jo 8.34). O pior de tudo, é que o homem não sabe que é escravo. Ele pensa que está livre, mas não é. Goethe dizia: “Ninguém é mais escravo do que aquele que pensa ser livre, sem que, de fato o seja”.

c.     Sêneca, o filósofo romano estoico (contemporâneo de Paulo), declarou: “Mostrai-me alguém que não seja um escravo. Um é escravo da concupiscência, outro escravo da avareza, um terceiro da ambição, e todos do temor”.

d.    Essa miserável condição é retratada no trecho de Rm 7. 14-24. Onde Paulo descreve o conflito de uma alma que deseja ser livre, mas que descobre que o mal é dificílimo de ser derrotado. (A figura do gadareno retrata o homem preso no pecado, necessitando de ter um encontro com Jesus (Mc 5).

e.    Jesus, a verdade personificada livra o homem dos grilhões do pecado (Rm 8.1-3; 2Co 5.21).

f.      O homem não é o tipo de pessoa que pode ser independente. Ou ele é escravo do pecado, ou de Cristo (Rm 6. 16-18).

g.     A única escolha que o homem pode fazer é de quem ele será escravo? Ou de Cristo para a vida, ou do pecado para a morte.

h.    A identificação de Cristo com os homens o leva a tomar nossas dores, nossos castigos, nossas enfermidades sobre si (Is 53. 5,5; 1Pe 2.22,24). A figura do bode expiatório (Lv 16. 20-22).

 

LIVRE ESTOU

116 da HC

Eu vagava pela senda de horror,

Oprimido pelo pecado e temor.

Quando o Salvador eu vi,

Sua terna voz ouvi,

Meu Jesus me libertou por seu amor.

 

Livre estou! Livre estou!

Pela graça de Jesus livre estou;

Livre estou! Livre estou!

Aleluia! Pela fé livre estou!

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

A LEI E OS EVANGELHOS REVELAM JESUS

                                                               TEXTO ÁUREO

Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.” (Dt 6. 4)

VERDADE PRÁTICA

A lei não salva, mas esboça o plano da redenção em Cristo confirmado nos Evangelhos.

 

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

Filipe achou a Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José” (Jo 1.45). Cristo é o tema central de toda a Bíblia. O Antigo Testamento prepara o caminho para a vinda de Cristo, predizendo sua chegada através de tipos e profecias. Como por exemplo: Para chegar no Santo dos Santos, e consequentemente à presença de Deus, havia uma única porta no tabernáculo; assim também, Jesus se colocou como a única porta para a salvação, quando disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar salvar-se-á, ...” (Jo 10.9). O Antigo Testamento é a preparação do Redentor. Os Evangelhos apresentam Cristo como redentor da humanidade. Ele é a manifestação do Redentor. Quer dizer, os dois Testamentos, o Velho e o Novo, são de igual autoridade, com funções diferentes. Vejamos com atenção esse palpitante assunto.

I – O PENTATEUCO: A LEI DE DEUS

1.    Os cinco livros da Lei. Gênesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronômio, são os cinco primeiro livros da Bíblia, conhecidos como “Pentateuco”.  De dois termos gregos, penta = cinco e teuchos, volume, livro, pergaminho. Os judeus chamam-no de Torá. A palavra hebraica hrwt “torah” (lei) ocorre 221 vezes no Antigo Testamento e sua correspondente grega , nómos, 197 vezes no Novo Testamento. Essa palavra insinua (no seu sentido literal: mete no seio) um significado mais abrangente do que simplesmente lei. Ela dá-nos a ideia de “ensino, norma de conduta, instrução divina”. A totalidade do Pentateuco é identificada, nas páginas da Bíblia Sagrada, como a Lei (Ex 24.12; Mt 5.17); a Lei de Moisés (Js 8.31,32; At 13.39); a lei de Deus (Ne 8.8; Rm 7.22); e a Lei do Senhor (Ne 10.29; Lc 2.22,23). Essa era a primeira seção do Tanakh, os primeiros cinco livros da Bíblia Hebraica.

 

2.    A grandeza da Lei. Sob três aspectos se deve estudar a Lei, para que não seja cometido os erros que os guardadores do sábado cometem. a) Aspecto moral. Lei Moral é um conjunto de valores absolutos, isto é, fixos, eternos e perfeitos, impostos ao homem por uma força superior, Deus, é revelados na sua Palavra Escrita, a Bíblia Sagrada. São princípios universais, válidos para qualquer pessoa, em qualquer lugar, e não se alteram com o passar do tempo. Até mesmo os gentios receberam de Deus um senso ético que se manifesta por meio de suas consciências, como afirma Paulo: “Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei (...), os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração, testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os” (Rm 2.14, 15); b) Cerimoniais. Lei cerimonial é aquela que impõe e disciplina as cerimônias e rituais do culto (judaico, no caso), assim como a circuncisão, a páscoa, o pentecostes, as primícias, as luas novas e o sábado. Tais mandamentos tinham uma vigência temporária, pois essa lei de caráter transitório apresentava os tipos, sombras e figuras que se cumpririam na pessoa, nos atos e nos ensinos de Jesus. “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem real das coisas (...)” (Hb 10.1) “Tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso a quem são já chegados os fins dos séculos” (1 Co 10.11). Os mandamentos cerimoniais tornaram-se obsoletos porque em Jesus se cumpriram as figuras, os tipos ou as “sombras” que aquelas cerimônias representavam. O cordeiro da Páscoa era a figura do “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.20). As luas novas que anunciavam um novo mês, simbolizavam as boas novas do Evangelho (Is 60.2). O sábado, descanso para o corpo, era sombra de Cristo, o descanso para nossas almas (Mt 11.28); c) Civis. Que diz respeito a responsabilidade do israelita como cidadão. O Decálogo pode ser considerado, em nossos dias, nossa legislação constitucional, civil e penal. Como nação o podo de Israel precisava de leis que os orientasse e os levasse a uma convivência boa e ideal. Ex. Leis concernentes a escravidão (Ex 21. 1-7); Ricos e pobres (Dt 15.4-11); Brigas, conflitos, lutas pessoais (Ex 21. 18-18); Crimes capitais (Ex 21.24); Etc.

Paulo disse que “A lei e santa; e o mandamento, santo, justo e bom [...] a lei é espiritual” (Rm 7.12,14). Nossa declaração de fé das Assembleia de Deus no Brasil, diz que a Lei de Moisés é o mais importante código de leis da antiguidade por sua santidade, por seu caráter espiritual e por sua autoridade divina, porém, ela vai além de tudo isso, pois nela, Deus esboça o plano da redenção do homem perdido em Cristo: “Porque o fim da lei é Cristo para a justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4).

 

3.    A lei e a fé cristã. A função da Lei era transitória (Hb 10.1). Ele revelou o pecado e a necessidade da graça (Gl 3.19), e assim serviu de “Aio”, que dizer, um pedagogo, um guia, para nos conduzir a Cristo (Gl 3.13). A lei encerrou a humanidade debaixo do pecado (Gl 3.22). Desse modo, ninguém pode ser salvo pelas obras da Lei (Gl 2.16). Cristo nos resgatou da maldição da Lei (Gl 3.13), e nos deu vida mediante o evangelho (2Tm 1.10). Cristo, o único que não tem pecado, cumpriu a cabalmente a Lei, e inaugurou a dispensação da graça (Ef 2.8; 3.2; Hb 4.15). Agora vivemos debaixo da graça divina (Rm 6.14). Porém, todo aquele que permanece em Cristo, não vive na prática do pecado (1Jo 3.6; Rm 8.1,2). A graça me salva do pecado e me habilita para a prática das boas obras (Ef 2.10).

II – OS EVANGELHOS: A MENSAGEM DE CRISTO

1.    O conceito de Evangelho. Paulo disse: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do Judeu e também do grego” (Rm 1.16). O termo “Evangelho” tem origem no grego evangelion com o significado de “boas novas”. Jesus mandou que seu discípulos pregassem o evangelho a toda a criatura (Mc 16.15). Paulo disse que não deveríamos crer em outro evangelho, mesmo que fosse pregado por um anjo descido do céu (Gl 1. 8). São chamados de Evangelhos, os escritos de Mateus, Marcos, Lucas e João. O três primeiros, são conhecidos como sinóticos, ou “idênticos”. Eles registraram o ministério de Cristo especialmente na Galileia, enquanto  João, salientou o ministério de Cristo na Judeia. Mateus apresenta Jesus como o Rei, Marcos como Servo, Lucas como o Filho do Homem e João como o Filho de Deus.

2.    A mensagem do Reino de Deus. Mateus, como o Evangelho do Rei, relata que Jesus, após o batismo nas águas (Mt 3.16), e sua vitória na tentação no deserto (Mt 4.11), passou a pregar a chegada do “Reino dos céus” (Mt 4.17). Os outros sinóticos também enfatizam a pregação do reino, como tema central da mensagem de Cristo (Mc 1.15; Lc 4.43). E João enfatiza que o reino divino não é deste mundo (Jo 18.36). Os Evangelho indicam que as profecias messiânicas se cumpriram em Cristo (Lc 4.18-21). Neles, Jesus é apresentado como o Filho de Davi, e o Filho de Deus (Mt 1.1; Mc 1.1). Sua vinda inaugura o começo do Reino e requer a conversão dos pecadores (Jo 3.5). O Reino aponta para a soberania de Deus sobre todas as coisas, no presente e no futuro (Lc 17.21; Lc 1.33). De tanto Jesus falar em reino, os discípulos, perguntaram então, se seria neste tempo que ele restauraria o reino a Israel (At 1.6). Mas Jesus estava falando de um reino muito mais grandioso que o reino terreno de Israel (Rm 14.17).

3.    A mensagem da salvação. São três os título de Jesus nos Evangelhos: Salvador, Cristo e Senhor (Lc 2.11). Mateus nos mostra Jesus como Salvador (Mt 2.11); Marcos afirma que precisamos crer nele para sermos salvos (Mc 16.16); Lucas diz que ele veio buscar e salvar os perdidos (Lc 19.10). João também ratifica que ele é o salvador do mundo (Jo 4. 42). Tudo isso como um ato de amor do Pai, pela graça divina e pelos méritos de Cristo (Jo 3.16).

III – UMA MENSAGEM TRANSFORMADORA

1.      A transformação do caráter. Caráter: Conjunto de reações e hábitos de comportamento que uma pessoa adquire durante a vida e que dão especificação ao modo de ser individual. Junto com o temperamento e as aptidões configuram a personalidade do indivíduo. Diz-nos um pensador, que caráter é aquilo que somos quando estamos sozinhos. Vemos que a mera observância de preceitos não pode salvar ninguém (Lc 18. 18-24), somente a graça divina é capaz de transformar o caráter humano decaído pelo pecado. Este aprimoramento moral, espiritual e santificador (de não ter desejo de pecar) só é possível quando realmente nos submetemos à ação do Espírito Santo. Por isso é que Paulo nos exorta: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1, 2). Se alguém cumpre a primeira condição desse versículo, gozará certamente do privilégio de degustar a “boa, agradável, e perfeita vontade de Deus”. Porém, se alguém quer viver em conformidade com o mundo, jamais saberá como a vontade de Deus é tão “boa, agradável, e perfeita”. É promessa divina: “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um Espírito novo” (...) “E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos” (Ez 36.26, 27). Essa promessa se cumpre quando nos “convertemos” ou “nascemos de novo” (Jo 3.5-8). Nesse momento, o Espírito Santo implanta em nós os caracteres da divindade, que poderíamos chamar de “cromossomos de Deus”. Esses cromossomos de Deus irão desenvolvendo-se, para formar em nós a “imagem de Cristo”, assim como uma criança se vai formando no ventre materno. “Ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina” (2 Pd 1.4). “Mas todos nós (...) refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transfigurados nessa mesma imagem cada vez mais resplandecente pela ação do Senhor, o Espírito” (2Co 3.18, Bíblia de Jerusalém). “A vereda dos justos é como a luz da aurora (...) vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Porém nenhuma glória nos cabe! “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa-vontade”; “Mas, quando aprouve a Deus revelar seu Filho em mim” (Fp 2.3; Gl 1.15, 16). Quando nos convertemos, recebemos uma nova mente: “(...) a mente de Cristo”; “Mas nós temos a mente de Cristo” (1 Co 2.16). Ela é que torna possível a transformação (metamorfose) que nos foi destinada desde a eternidade: “Os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Paulo compara essa santificação progressiva a uma verdadeira gestação espiritual: “Meus Filhinhos, por quem de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós” (Gl 4.19). A esse regime de vida na Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo podemos chamar de: Lei de Cristo.

Falando sobre Gálatas 5.22, o “fruto do Espírito”, o pastor Antônio Gilberto diz que, esse fruto não é nada mais e nada menos que a existência de uma caráter semelhante ao de Cristo no crente. Um caráter que testemunha de Jesus e que o revela em seu viver diário. É a expressão externa da natureza santa de Deus no crente. É o desdobre da vida de Cristo manifesta no cristão. Pergunta o pastor Antônio Gilberto: Como é que o povo à nossa volta está vendo Cristo em nós? Seja em família, no emprego, nas viagens, na escola, na igreja, nos relacionamentos pessoais, nos tratos, nos negócios, no lazer, o porte em geral, na vida Cristã?

2.      A restauração da família. Na lei era comum o divórcio, a dissolução do casamento, e isso por qualquer motivo (Dt 24. 1-4). A sagrada instituição da família era banalizada, provocando com isso a ruptura familiar, enchendo assim o altar de Deus de lágrimas (Ml 2. 13,14). Nos Evangelhos, Cristo ensina que o propósito divino para o casamento é a união indissolúvel entre um homem e uma mulher (Gn 1.27; 2.24; Mt 19.4,5). Enfatiza Jesus: “O que Deus ajuntou não separe o homem” (Mt 19.6). As exceções são justificadas em casos de morte (Rm 7.2); Infidelidade (Mt 5.32); e deserção do lar pelo descrente (1Co 7.15). E, mesmo em situações de traição e abandono, a mensagem cristã apresenta o perdão e a reconciliação como atitudes preferíveis (Mt 5.9,44; 18.21,22; Ef 4.32).

3.      A regeneração da sociedade. Amar ao Senhor e ao próximo como a nós mesmos, está no mandamento régio de Deus para toda a humanidade. São mandamentos morais, absolutos, irrevogáveis. Nestes dois mandamentos está resumido a lei e os profetas (Mt 22.36-40). O amor de Deus para com a humanidade é a base da salvação (Jo 3.16; 15.13). Em vista disso, os cristãos receberam a missão de proclamar essa mensagem às nações (Mt 28.19). A igreja é sal da terra e luz do mundo (Mt 5.13,14). Ela precisa continuar como conservante neste mundo que aos poucos vai se diluindo com o câncer do pecado. Infelizmente, muitos que já foram sal e luz, hoje, estão lançados no caminho, sendo pisoteados pelos ímpios, e sua luz já não brilha mais. Voltemos com pressa aos pés de Cristo, pois a Igreja do Senhor tem uma nobre missão, a de regenerar essa sociedade (1Pe 2.9,10).

Amém.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

Deixai-nos edificar convosco

                                                                           (Ed 4.2)

Os inimigos de Deus  e de sua obra (provavelmente samaritanos, (cf 2Rs 17.24,34) procuraram se infiltrar entre os judeus e interromper a construção do templo. Fingiram união, e hipocritamente ofereceram ajuda num trabalho conjunto para o progresso da obra de Deus. Nesta reflexão, veremos o perigo da infiltração de inimigos em meio aos arraial do povo de Deus. A carta enviada à Igreja de Éfeso, o Senhor Jesus diz: “... e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e não são e tu os achaste mentirosos” (Ap 2. 2b).

A igreja, em todos os tempos, vem sofrendo investidas desta natureza. É preciso que àqueles que estão na liderança da mesma, busquem com todo ardor o dom de discernimento de espíritos, para que possam, assim como Zorobabel, identificar, quando de fato são amigos e quando são inimigos. Neemias também identificou, quando foi chamado para descer e ir ao vale de Ono, disse: “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer” (Ne 6.3). Ele sabia que intentavam contra a sua vida. Veremos algo mais desses inimigos:

1)     Esses inimigos de Judá (Ed 4.1), afirmavam que adoravam ao Senhor Deus e que sacrificavam a Ele, igualmente como os Judeus. Entretanto, tinham seus próprios deuses, e não aceitavam a Palavra de Deus escrita como a autoridade suprema para seu povo (cf 2Rs 17.24,29-33). Esse oferta enganosa de ajuda, era de fato, um sinistro complô, parecido com aquele dos inimigos de Neemias (Ne 6.2), para subverter a fé e dedicação do remanescente que voltara.

Estamos em época, onde, muitos procurarão as igrejas, passando por bonzinhos, saudando com a paz do Senhor, e até querendo cooperar com a obra de Deus. Que o Senhor tenha misericórdia do seu povo. Até aqui nosso Deus tem nos ajudado, e continuará nos ajudando (1Sm 7.12).

2)     As Escrituras advertem que Satanás procurará perverter a mensagem de Deus e arruinar o santo remanescente, mediante ofertas de cooperação da parte de falsos crentes que não são leais à inspirada revelação da Palavra de Deus (Mt 24.24; At 20.27-31; 2Co 11.13-15; Ap 2-3).

3)     A unidade entre os que adoram ao Senhor é um princípio importante e bíblico, mas essa unidade deve basear-se na fé sincera, na justiça obediente e na verdade revelada por Deus (Ef 4.3-13).

4)     A mistura com pessoas que não são da mesma linhagem do povo de Deus, ou de falsos cristãos, sempre trazem enormes prejuízos ao povo de Deus (cf Ex 12. 38; Nm 11.4; 2Rs 17.32,33; 2Pe 2.13; Ap 2.9).

Portanto, façamos como Zorobabel, que não aceitou a ajuda disfarçada dos inimigos do judeus. Não devemos aceitar essa mistura em nosso meio. Quem quiser andar conosco, terá que servir unicamente ao Deus vivo e verdadeiro. Ele não aceita mistura.

Amém.

Pr Daniel Nunes da Silva

Bibliografia

Bíblia de Estudo Pentecostal.

sábado, 15 de janeiro de 2022

“A PAZ DO SENHOR, AMÉM?”

Quantas vezes estamos com aquela vontade de responder um “amém” caloroso para o orador, ou cantor, porém, somos interceptados por ele mesmo. Ao se posicionar no púlpito, ele ou ela, toma o microfone e vai logo dizendo: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor, amém?!”. Tolhendo-nos o direito de dar-lhe uma resposta afirmativa para sua saudação.

“Amém” é uma palavra de origem hebraica e significa especificamente “firme”. No sentido figurado significa “confiável”, porém, é muito mais usado com o significado de “assim seja”. Veja a resposta que Benaia deu ao rei Davi, quando este relatou que Salomão seria seu sucessor: “Então, Benaia, filho de Joiada, respondeu ao rei e disse: Amém! Assim o diga o Senhor, Deus do rei, meu senhor” (1Rs 1.36). Quando Davi louvava ao Senhor diante da congregação o povo respondia com um sonoro Amém: “Louvado seja o Senhor, Deus de Israel, de século em século. E todo povo disse: Amém! E louvou ao Senhor.” (1Cr 16.36). Então, quando a pessoa responde o “amém”, ela está dizendo assim: “Eu concordo que assim seja feito, ou com o que foi feito (ou dito)”.

No contexto de hoje, nos cultos, quando o público é cumprimentado e responde “amém”, está afirmando que está de acordo com aquela saudação, e também de acordo que o orador continue falando.

Quando a pessoa que saúda ao mesmo tempo diz “amém”, ela está dizendo assim: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor, assim seja, e eu concordo que eu continue falando, e/ou cante o hino”. Tem algum sentido nisso? Logicamente que não. Por que, então, um grande número de pessoas que fazem uso da palavra, nos púlpitos de nossas igrejas, reiteradamente comete tal equívoco, quanto à saudação aos irmãos e amigos que ali se encontram?

Bom, deve ser porque aprenderam errado o modo de saudar a igreja quando recebem oportunidade, pois, infelizmente, o novo crente tem maus exemplos todos os dias em nossas reuniões, e assim ele aprende errado.

Pode ser também que seu referencial (a pessoa que lhe ensinou) no início de sua fé ou quando começou a receber oportunidades fazia assim, por isso aprendeu errado e continua reproduzindo o erro para os demais que o ouvem. Assim vamos criando uma geração de pessoas que usam mal as palavras nos púlpitos de nossas igrejas.

A expressão “Amém” também pode ser usada quando terminamos o serviço espiritual que estávamos realizando, significando que chegou ao fim da pregação, do louvor, da oração ou do culto. Temos como exemplo o duplo amém de Davi: “Bendito seja o Senhor Deus, o Deus de Israel, que só Ele faz maravilhas. E bendito seja para sempre o seu nome glorioso: e encha-se toda a terra da sua glória. Amém e Amém” (Sl 72.18,19). Outros textos nos mostram também o amém no final do serviço prestado ao Senhor (Mt 6.13; 2Co 13.13).

·                “Saldo os irmãos” ou “Saúdo os irmãos”?

Há ainda, os que ao invés de dizerem saúdo os irmãos com a paz do Senhor”, dizem saldo os irmãos...”. Mesmo sabendo que esse é um erro de pronuncia em nossa língua portuguesa, e não é nossa intenção corrigir os equívocos da língua, mas os modismos ou jargões falados em nossas reuniões de culto, entendo ser importante esclarecermos também a diferença entre o verbo “saudar”, conjugado na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo - “saúdo” -, que se refere ao ato de cumprimentar, felicitar alguém, dar boas-vindas, e  o verbo “saldar” (do substantivo “saldo”), que é sinônimo de “pagar” ou “quitar”, quando, por exemplo, dizemos que vamos “saldar a dívida” – não queremos dizer que vamos cumprimenta-la, mas que vamos pagá-la! Portanto, a palavra saúdo é a palavra correta para cumprimentar a igreja, e deve ser pronunciada, colocando força na pronuncia do “ú”, em que está com o acento agudo, para que a palavra seja de fato pronunciada corretamente.

Há várias maneiras corretas, para nossas saudações iniciais, vejamos algumas: “Saúdo os irmãos com a paz do Senhor”; “Saúdo a todos os irmãos com a paz do Senhor”; “A paz do Senhor para todos meus amados irmãos”; “A graça e a paz do Senhor para todos”; “Graça e paz de nosso Senhor Jesus Cristo para todos irmãos”; “A paz do Senhor para todos”, etc. (Vale salientar que a forma de saudar o público difere entre as denominações evangélicas, e até mesmo nas regiões de nosso Brasil).

Você notou que em nenhuma delas há a expressão “amém”? Pois bem, o “amém”, quem deve responder é o público a quem você se dirige e nunca você que está saudando. Portanto, vamos aprender a usar bem o tempo tão precioso que temos no púlpito, com palavras sábias, pois o púlpito é um lugar especial na casa de Deus, não com conotação espiritual, mas social. Enquanto você está ocupando esse lugar de destaque, existem muitos que estão desejosos por estar em seu lugar. Uma boa dose de coerência não faz mal a ninguém!

domingo, 2 de janeiro de 2022

A BOA, AGRADÁVEL E PERFEITA VONTADE DE DEUS

 


E não vos conformeis com este mundo, as transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis  qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2).

 

Como seres pensantes, racionais que somos, temos nossas próprias vontades. Usando nossos cinco sentidos da vida, produzimos nossas vontades (Vontade de comer uma fruta, por exemplo). E, por mais que saibamos que a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita, insistimos em fazer a nossa própria vontade. Talvez, seja por parecer, que nossas vontades são mais confiáveis, tangíveis, palpáveis.

O exemplo da fruta, não foi por acaso. Lembremos que a primeira vontade contrária a vontade de Deus, do casal edênico, foi exatamente em comer uma fruta. Nesse caso, não era da vontade de Deus que eles comessem aquele fruta. E assim que comeram, morreram.

Há vontades que temos, que são boas e agradáveis também. Há àquelas, que mesmo sendo boas e agradáveis aos nossos olhos, e aos demais sentidos da vida, não são da vontade de Deus, e, não sendo da vontade de nosso Pai celestial, certamente também, não será boa para nós. Vejamos este texto bíblico: “E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também ao seu marido, e ele comeu com ela” (Gn 3. 6). Parecia que tudo daria certo, pois, na concepção de Eva, após a apologia feita pela serpente, que, se Deus não queria que eles comessem, era simplesmente “porque Deus sabe que, no dia em que comerem, se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal” (Gn 3. 5). Porém, não deu certo não. As consequências não tardaram a chegar. O casal passou a experimentar a morte espiritual e a falta de comunhão com o Criador. Foram expulsos do jardim e uma vida dura, de suor e lágrimas começou. Como se isso não bastasse, as consequências, compulsoriamente passou a todos da raça humana. Tudo porque, fizeram a sua vontade e não a do Senhor Deus.

Jesus, o último Adão, cedeu a sua vontade, para dar lugar à vontade do Pai. Lá no Getsêmani, apartando dos seus discípulos, disse em oração ao Pai: “...Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22. 42). O Filho de Deus, o Verbo encarnado, já havia dito: “... A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4. 34). Disse ainda: “Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma; como ouço, assim julgo, e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai, que me enviou” (Jo 5.30). Quando anunciaram que sua mãe e seus irmãos, estavam fora e queriam vê-lo, disse: “Porque qualquer que fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, este é meu irmãos, e irmã, e mãe” (Mt 12.50).

Quando chegou o momento da cruz, não propriamente a cruz de madeira, mas, a cruz dos pecados, da maldição, do juízo do Pai sobre toda a humanidade, e o Filho vendo que tudo aquilo recairia sobre Ele, disse: “A minha alma está profundamente triste até a morte;...” (Mc 14. 34). Então, Jesus teve uma vontade própria sua. Quem sabe, provindo daquela tristeza profunda, disse: “Aba, Pai, todas as coisas te são possíveis; afasta de mim este cálice;...” (Mc 14. 36). A vontade do Filho era que aquele sofrimento se afastasse, sem que fosse preciso passar, mas, naquele momento, mais uma vez, nosso Salvador, demostrou, que queria fazer a vontade do Pai, não apenas nos bons momentos, mas, muito mais agora, em momentos de grande aflição, tristeza e dor, e diz: “...não seja, porém, o que eu quero, mas o que tu queres”. Passando pelo caminho da dor, do sofrimento e da maldição por nossos pecados, Jesus foi ao patíbulo da cruz e morreu como pagamento do juízo de Deus, que recairia sobre toda a humanidade. Na hora que ele brada “Está consumado”,  estava dizendo, que aquela dívida, que a humanidade devia, a partir do momento que Adão fez a sua vontade, comendo do fruto da árvore da ciência do bem e do mal, agora estava cancelada, porque Ele, Jesus, o Messias, o último Adão, não fez a sua vontade, mas a vontade do Pai.

Muitas vezes, para fazermos a vontade de Deus, passamos por caminhos dolorosos. Nossas vontades precisarão ser suprimidas. Quem sabe, falaremos: Mas Senhor, queria tanto, gosto tanto, amo tanto, desejo tanto isso ou aquilo. E o Senhor vai nos dizer: Mas eu não gosto, eu não amo, eu não desejo isto para você. Isso não te fara bem. Isso te levará a ruina. Outra vezes vamos dizer: Senhor, será mesmo que preciso passar por esse caminho tão estreito? Por essa prova tão grande? Por este vale tão doloroso? Então o Senhor vai nos dizer: Sim, é preciso. Além desse vale doloroso está a tua coroa. Mais adiante, você vai me agradecer por ter passado por esse lugar. Foi exatamente nesse vale que você aprendeu a confiar mais em mim. Foi exatamente nesse caminho espinhoso que você contemplou a minha gloria.

Concluo, dizendo, que, por mais que, fazer a vontade de Deus pareça ser difícil, até impossível, ela não deixará de ser a boa, agradável e perfeita vontade. Ela é ascendente: Boa, agradável e perfeita. A vontade de Deus é como a luz da aurora, pois vai cada dia mais clareando, brilhando, até dar seu brilho com toda intensidade. Ao passo que nossa vontade, começa, aparentemente boa, porém, seu final poderá ser desespero, tristeza, amargura e morte.

Vamos nos esforçar, e pedir ao Santo Espírito, que nos ajude à fazermos sempre a vontade de nosso Pai que está nos céus.

Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu” (Mt 6. 10).

Vosso em Cristo

Pr Daniel Nunes